Cândida Oliveira
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O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) voltou a ser alvo de denúncias das associações de proteção aos animais. Dessa vez, a presidente de uma Organização Não Governamental (Ong) Educação e Legislação para o Bem Estar do Animal (Elan), Nazaré Moraes denuncia os procedimentos adotados pelo local e diz que cães e gatos sofrem maus tratos.
Ela conta que foi procurada por uma família que reside no bairro Santos Dumont que pediu ajuda para tirar um cão do CCZ. "Uma cadela de seis meses foi levada para o Zoonoses com a afirmação de que está com leishmaniose, uma doença que é transmitida pela picada de mosquitos flebotomíneos (Insetos infectados).
Fizeram um teste rápido e no dia 26 de dezembro levaram a cadela. A dona do cão não estava em casa, mas sua irmã permitiu que fosse lavada, por não ter conhecimento do assunto. Só que a proprietária do cachorro trabalha em laboratório e tem conhecimento que a cadela não tem a doença. Desde que foi levado, o animal vem definhando por conta dos maus tratos", relatou Nazaré.
Os testes sorológicos têm a vantagem de serem mais rápidos e baratos, porém existe a possibilidade de resultarem em falso-positivos ou falsos-negativos.
Desde o dia 26 a vida dessa família virou um tormento, pois o CCZ exigiu que para liberar a cachorra, um exame em clínica particular deveria ser realizado. Esse exame custa caro e o resultado sai com aproximadamente 20 dias. "A família já custeou o exame, mas mesmo assim eles não liberam o animal, dizem que a leishmaniose é contagiosa, mas sabemos que não é".
De acordo com Nazaré, foi exigido também que fosse comprado uma coleira scalibor, que protege o animal contra os flebótomos. "Também foi comprado e mesmo assim, não liberaram a cadela, é um verdadeiro tormento psicológico o que vive essa família", denuncia Nazaré Moraes.
A família e a diretora da Ong têm medo do que pode acontecer esse final de semana. "Não sabemos se o animal receberá alimento e água, o Zoonoses não é um local que trata dos animais que chegam saudáveis, quando saem, é doente".
"A gente se sente impotente sem poder fazer nada, lutando, mas todos os direitos da gente são negados", disse a dona do animal que prefere não se identificar.
Testemunhas que não quiseram se identificar dizem que viram animais sendo maltratados e um estudante disse que viu cachorros sendo cerrados por funcionários. "Tem uns espaços que dá pra ver os animais cerrados no chão e eram colocados no saco e levados para o isolamento. Não se sabe se esses animais estão vivos ou mortos".
A advogada Cristina Araujo que acompanha o caso viu que na manhã de ontem, sexta-feira, dois gatos – mãe e filho de 2 meses – foram mortos, com a alegação de estarem com leishmaniose. "Um filhote não pode ter a doença".
Ela diz que a lei municipal autoriza o Zoonoses a proceder dessa forma, mas existe uma lei federal que proíbe maus tratos, que é o que acontece em Aracaju. "É por isso que estamos brigando e pleiteando a intervenção no Zoonoses, porque os administradores são incapacitados para trabalhar lá".
O coordenador do CCZ, Paulo Thiago dos Santos negou as acusações. "Não acontece nada de errado, os tonéis com os animais eutanasiados foram abertos e não foi comprovado que existem animais mutilados", disse.
Sobre a cadela que está presa no Centro e não pode ser levada pelos proprietários, o coordenador disse que está aguardando os resultados dos exames de contraprova. "Se der positivo será feito o que o Ministério da Saúde preconiza, no manual de tratamento de leshminoniose, todos os cães portadores tem que ser eutanasiados", comunicou.


