Operação contra fraudes no SUS tem buscas em Itabaiana

A Polícia Federal cumpriu ontem, em quatro estados,13 mandados expedidos pela Justiça Federal de Alagoas (JFAL), sendoquatro de prisão temporária, um de condução coercitiva e oito de busca e apreensão, dentro da chamada ‘Operação Hoder’. A investigação coordenada pela Superintendência da PF em Alagoas, com apoio da Receita Federal do Brasil e do Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (Denasus), descobriu um esquema de fraudes e desvios de recursos públicos envolvendo diagnósticos falsos para cirurgias e medicamentos do tratamento contra o glaucoma.

Uma das cidades-alvo da operação foi Itabaiana (Agreste), onde uma equipe de agentes da PF alagoana fez diligências em uma clínica oftalmológica no centro da cidade, em cumprimento a um mandado de busca. Inicialmente, especulou-se que a sede da Secretaria Municipal de Saúde de Itabaiana também teria sido visitada pelos federais, o que foi negado em nota divulgada pelo prefeito Valmir de Francisquinho (PR). Além da cidade serrana, os mandadosforam cumpridos emBrumado (BA), Goiânia (GO), Maceió, Arapiraca, Penedo e Marechal Deodoro (AL).

A ‘Hoder’, nome de um deus da mitologia nórdica que era cego, surgiu de um inquérito instaurado pela PF para apurar o desvio de verbas do Programa Nacional de Combate ao Glaucoma e da Política Nacional de Procedimentos Cirúrgicos Eletivos de Médica Complexidade, ambas desenvolvidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os delegados responsáveis pela operação confirmaram em coletiva à imprensa alagoanaque pelo menos cinco empresas e 10 pessoas, entre médicos, diretores e técnicos, estão envolvidos com o esquema. Três delas foram presas, sendo duas em Maceió e uma em Goiânia.

Os investigadores constataram que um grupo de clínicas e empresas recebia recursos federais muito acima do valor fixado originalmente, por causa de informações incorretas que eram prestadas sobre atendimentos médicos, diagnósticos de glaucoma e fornecimento de colírios especiais para tratar a doença causadora da cegueira. Descobriram ainda que pessoas sadias eram diagnosticadas com a doença, para que os medicamentos fossem prescritos em maior quantidade.

Auditorias realizadas anteriormente pelo Denasus determinaram o ressarcimento de cerca de R$ 9,3 milhões à União pelas irregularidades. No entanto, a ‘Hoder’ constatou um prejuízo maior e a continuidade do esquema até hoje. Segundo a polícia, uma clinica investigada e sediada em Maceió recebeu cerca de R$ 16 milhões do SUS entre 2014 e 2016 para custear consultas e fornecimento de colírios. As investigações continuam para descobrir qual parcela desses valores foi desviada. Todos os envolvidos serão processados pelos crimes de estelionato qualificado e organização criminosa. (Gabriel Damásio)

Compartilhe esta notícia