Gabriel Damásio
Uma investigação do Ministério Público de Alagoas investiga o envolvimento de empresários sergipanos em um esquema de sonegação fiscal que pode ter causado um prejuízo de cerca de R$ 197 milhões aos cofres públicos. Este é o principal alvo da ‘Operação Placebo’, deflagrada ontem para cumprir 10 mandados de prisão e outros 18 de busca e apreensão. Todos foram expedidos pelo juízo da 17ª Vara Criminal de Alagoas e cumpridos em Sergipe e Alagoas por equipes dos Ministérios Públicos dos estados e das polícias Civil e Militar. Os principais investigados são ligados a uma empresa distribuidora de medicamentos que, segundo as investigações, teria revendido mercadorias sem recolher os impostos estaduais.
Parte dos mandados, incluindo quatro mandados de prisão, foram cumpridos em Aracaju e Nossa Senhora do Socorro. Pela manhã, foram presos os empresários Antônio Monteiro dos Santos, Arnaldo Monteiro dos Santos, Vanessa Veras Ribeiro e Jenisson Paulino da Silva Ribeiro. Duas parentes do principal investigado, as empresárias Maria Edenilce Monteiro dos Santos (filha de Arnaldo) e a filha dela, Sílvia Santos Borges, que residem em Feira de Santana (BA), não foram encontradas e são consideradas foragidas. As outras prisões aconteceram em Alagoas: o auditor fiscal Carlos Antônio Nobre e Silva, o contador Benedito Alves dos Santos Júnior e dois homens apontados como testa-de-ferro das atividades ligadas ao esquema: Márcio André de Lira e Erasmo Alves da Silva Filho.
No final da manhã, as equipes de promotores e policiais alagoanos fizeram diligências em três galpões ligados a empresas pertencentes aos investigados, sendo todos localizados no Conjunto Marcos Freire II. Neles, foi apurada a denúncia de que medicamentos e materiais isentos de nota fiscal estariam guardados irregularmente nas empresas e seriam supostamente revendidos. Centenas de caixas destas mercadorias foram recolhidas pelos fiscais e colocadas em caminhões que seguiram para Maceió (AL), onde está o comando da investigação. Nenhum dos promotores que acompanhavam diretamente as investigações quis dar entrevista à imprensa.
Em nota, o MP alagoano afirma que investigou o esquema durante seis meses e definiu o grupo como "uma organização criminosa especializada em corrupção de agentes públicos, lavagem de bens e falsificação de documentos, dentre outros ilícitos penais". As investigações apuraram ainda "que o esquema de sonegação fiscal ultrapassou as divisas de Alagoas, alcançando mais dois estados nordestinos [Sergipe e Bahia]". O prejuízo estimado de R$ 197 milhões se refere à soma de impostos sonegados, multas, juros e correção monetária.
O promotor alagoano Cyro Blatter, coordenador do Grupo de Atuação Especial em Sonegação Fiscal e aos Crimes Contra a Ordem Tributária, Econômica e Conexos (Gaesf), informou que todos os alvos são acusados de formação de organização criminosa, falsificação de documentos públicos e privados, falsidade ideológica, lavagem de bens e corrupção de agente público. A palavra placebo, que deu nome à operação, faz referência a toda e qualquer substância sem efeito ou propriedades terapêuticas.


