Operação desarticula milícia que comandava crimes em Poço Verde

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

A Polícia Civil garante ter desarticulado uma espécie de ‘mini-milícia’ formada por pistoleiros envolvidos em dezenas de assassinatos na região de Poço Verde (Centro-Sul). Na madrugada de ontem, quatro homens foram presos e um adolescente de 17 anos foi apreendido em uma operação realizada na cidade por cerca de 40 agentes da Delegacia de Poço Verde, da Delegacia Regional de Lagarto, do Grupo Especial de Repressão e Buscas (Gerb), da Coordenadoria de Polícia do Interior (Copci) e da Delegacia-Geral de Polícia. Durante as buscas, quatro revólveres calibre 38 e algumas munições foram apreendidas.

Os adultos foram identificados como Mário Silva de Oliveira, 27 anos; Fernando Oliveira de Araújo, o ‘Colo’, 30; Reinan de Jesus Neves, 20, e Reginaldo de Jesus Júnior, o ‘Naldinho’, 26, apontado como líder do grupo. Outros dois adultos apontados como integrantes da quadrilha estão foragidos: Kainan Freitas Silva e Misael de Jesus Rocha. De acordo com o delegado regional Hilton Duarte, os acusados seriam ex-integrantes da quadrilha de José Augusto Aurelino Batista, acusado de formar o grupo de extermínio e que foi morto a tiros em 14 de outubro de 2014, durante outra operação da Polícia Civil em Poço Verde.

Esta suspeita surgiu a partir de 25 de junho de 2015, quando o pai-de-santo Reginaldo Andrade, 61, foi morto a tiros em uma praça no centro da cidade. "Neste assassinato, existiram duas linhas de investigação, supostamente briga por tráfico de drogas ou pelo fato de um relacionamento amoroso entre o Reginaldo e o pai de uma dupla que está presa. Um foi o José Romário, que foi preso em outubro do ano passado, e o outro foi o Mário, preso na operação de hoje. Os filhos de Reginaldo denunciaram a existência do grupo de extermínio que era liderado pelo ‘Naldinho’. E aí se descobriu que era uma sala remanescente", relata o delegado. Neste tempo, um dos filhos do pai-de-santo também foi assassinado pelo grupo.
Os policiais de Poço Verde e de Lagarto apuraram que ‘Naldinho’ e seus parceiros atuavam no tráfico de

drogas, mas concentravam suas atividades nos homicídios, atuando no Centro-Sul de Sergipe e em cidades da região nordeste da Bahia. A suspeita é de que, assim como no caso de Aurelino, as mortes teriam sido encomendadas por pessoas influentes da comunidade, tendo como alvos suspeitos de envolvimento com crimes na cidade e inimigos da própria quadrilha. "Eles atuavam sempre em duplas, em motocicletas e disparavam vários tiros. Pra se ter uma ideia, eles foram responsáveis pela autoria total dos homicídios de Poço Verde", mensurou Hilton, afirmando que o crime mais recente aconteceu nesta terça-feira, horas antes da operação, em uma borracharia da cidade.

Para Duarte, o grau de organização da quadrilha e o apoio de pessoas próximas foram os aspectos que mais chamaram a atenção no caso. "O grupo estava bem organizado, a ponto de terem circuito de câmeras e holofotes nos postes para monitorar as ruas. Comprovamos que eles realmente estavam ali contando com a ajuda de vizinhos e familiares que abrigavam as armas de fogo e drogas em suas casas. Acreditamos que outras armas e até mesmo drogas podem estar guardadas em outras casas. Por isso, as investigações irão continuar com o objetivo de encontrar mais materiais, como drogas e armas, além de outros remanescentes do grupo", diz o delegado. Os holofotes e as câmeras foram apreendidos pela polícia e a fiação foi destruída.

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