Operação policial combate tráfico de drogas nos estados do Nordeste

Há indícios de que outras cidades no interior pernambucano tenham sido utilizados como descarte dos corpos. Foto: Reprodução/Whatsapp
Milton Alves Júnior
 
Uma ação em conjunto entre as secretarias de Estado da Segurança Pública dos estados de Sergipe, Pernambuco e Rio Grande do Norte, resultou na prisão de suspeitos de operacionalizar, sobretudo, um sistema interligado de tráfico de drogas na região Nordeste do Brasil. De acordo com a Superintendência da Polícia Civil do Estado de Sergipe, durante as investigações foi possível descobrir que os integrantes da quadrilha, além de praticar o comércio de entorpecentes, também agiam com tortura contra vítimas e as enterravam em regiões de mangues localizados nos municípios de Ipojuca – nas proximidades de Porto de Galinhas -, além de Nossa Senhora do Ó, em Paulista, ambas cidades no estado de Pernambuco.
Ao menos 24 pessoas compõem a lista de réus, os quais seguem à disposição do Poder Judiciário; essa lista pode chegar a 48 pessoas ainda em processo de investigação. Para garantir a estabilidade funcional dos trabalhos, nenhum nome foi divulgado de forma oficial. A operação recebeu o nome de Manguezal Vermelho, denominação de uma planta, em alusão à existência dos cemitérios clandestinos. De acordo com o delegado Ney Luiz Rodrigues – um dos responsáveis por coordenar a operação -, há indícios de que outras cidades no interior pernambucano tenham sido utilizados como descarte dos corpos. Entre estes municípios estão: Cabo de Santo Agostinho, Sirinhaém, Itamaracá, Escada e Jaboatão dos Guararapes.
“Há casos de pessoas que são mortas e enterradas no mangue. E as torturas, pelas mais diversas formas: espancamento, até relatos de esquartejamento. Recentemente, a gente tomou conhecimento de uma jovem que foi morta por integrantes dessa facção. Eles a arrebataram de dentro de sua residência e teriam enterrado ela no mangue de cabeça pra baixo”, contou o delegado em entrevista concedida à Globo Nordeste. Sobre a identidade das vítimas, foi observado que o grupo possuía um sistema hierárquico, onde, uma determinada composição criminosa ficava responsável por apurar a existência de possíveis denunciantes. Para garantir o sucesso da operação, mais de 150 profissionais da Polícia Civil foram mobilizados.
“Diante da periculosidade do grupo criminoso, toda cautela é necessária, até mesmo para evitar algum tipo de confronto em que não ocorre morte. E por isso foi empregado o nosso Grupo Tático Operacional. E a gente utilizou, até mesmo, a aeronave, porque a gente tinha a informação de que esses indivíduos teriam armamento para derrubar a aeronave da polícia”, completou. O governo de Sergipe, por intermédio da Secretaria de Estado da Segurança Pública, pede que a população oficialize denúncias caso possua conteúdos capazes de colaborar com o trabalho de investigação. O compartilhamento de informações deve ser feito por meio do Disque-Denúncia (181). O sigilo é garantido.
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