Monique Oliveira
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Mais um trabalhador da área da construção civil morreu esmagado após uma viga de ferro, pesando toneladas, se desprender de um guindaste e atingir o homem identificado como José Francisco dos Santos Júnior, que segundo os colegas de trabalho, tem uma média de 30 anos. O fato ocorreu na rua Construtor João Alves, no bairro São José, na construção da nova sede do Ministério Público Federal em Sergipe.
De acordo com o cabo da Polícia Militar, Amintas Oliveira, os responsáveis, sendo um engenheiro e duas outras pessoas do canteiro, alegavam que o acidente foi ocasionado porque a barra de ferro não estava soldada corretamente. O operário trabalha na empresa Etinho Guindaspes, terceirizada da Construtora Pottencial, de Pernambuco, responsável pela obra.
Colegas da vítima que saíram do canteiro assustados afirmavam que José estava trabalhando na empresa como auxiliar de transporte há 15 dias e que no momento do acidente o trabalhador não teve tempo de correr. "Quando a barra de ferro que pesa cerca de oito toneladas caiu foi um barulho muito grande, infelizmente ele não teve nem tempo de correr. A barra caiu bem no rosto dele e esmagou na hora", relatou um colega da vítima que prefere não ser identificado.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Sergipe (Sintracon/SE), Raimundo Reis, esteve no local do acidente. "Estou há quatro meses na presidência do sindicato e já temos dois acidentes com vítimas fatais, é uma estatística alta. Vamos procurar o Ministério Público do Trabalho e aumentar a fiscalização nas obras", enfatizou.
Sobre o acidente, o presidente do sindicato completou dizendo que existe a suspeita de que o fato ocorreu devido às vigas não estarem soldadas. "Algumas vigas estavam apenas presas aos esqueletos com pontes de arame e se desprendeu do guindaste atingindo o trabalhador", destacou Raimundo Reis, acrescentando a suspeita que a correria para a entrega da obra do prédio da construção do edifício Sede da Procuradoria da República em Sergipe foi o que provocou o acidente. "Realmente existe uma correria para entregar a obra e aí vem a distração e os acidentes acontecem", observa.
Suspensão da obra – Em nota, O Ministério Público Federal lamentou o acidente que vitimou um operário na obra da construção de sua sede em Sergipe e informa que decidiu suspender as obras, temporariamente, para que seja garantida toda a assistência à família do trabalhador, bem como aos seus colegas de trabalho.
O MPF informa, ainda, que a Polícia Civil já compareceu ao local e realizou os levantamentos periciais. A instituição está acompanhando as investigações, inclusive com a instauração de procedimento administrativo específico. Foram comunicados o Ministério Público do Trabalho, a Superintendência do Trabalho e a Polícia Federal para a garantia de amplo esclarecimento sobre o ocorrido. O MPF também solicitou à construtora que executa a obra, as informações devidas.
Segundo o procurador-chefe em exercício, Ramiro Rockenbach, "é um momento difícil e muito doloroso para todos nós. O MPF em Sergipe tem como meta principal, agora, que toda a assistência seja prestada à família do trabalhador e que o caso seja devidamente esclarecido com a maior brevidade possível".


