OPERÁRIOS DA CONSTRUÇÃO FAZEM GRANDES MANIFESTAÇÕES

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Em greve há quatro dias, trabalhadores da construção civil realizaram na manhã de ontem, em Aracaju, mais um ato público contra a falta de negociação entre os operários e representantes do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon/SE). Pleiteando 15% de reajuste salarial, a categoria reivindica também valorização profissional como o fornecimento de auxílio cesta básica no valor de R$ 150 e plano de saúde. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Sergipe (Sintracon), por ausência de equipamentos de segurança, nos primeiros meses desse ano quatro funcionários morreram enquanto trabalhavam.

Acusando os empresários de não cumprirem as devidas normas de segurança, o presidente da Força Sindical, Alexandre Delmondes, disse que há mais de dois meses os servidores tentam dialogar com setor patronal, mas nenhuma contraproposta que agradasse a categoria foi apresentada até a última sexta-feira, 10. De braços cruzados por tempo indeterminado, a direção do Sintracon afirmou estar de ‘portas abertas’ para qualquer tipo de negociação. "Infelizmente a espera por uma solução chegou ao limite e nós da Força nos unimos para contribuir diretamente com a luta dos companheiros. Com o povo na rua, a luta vai continuar".

Conforme exigido pela constituição federal, Delmondes disse ter comunicado oficialmente todas as empresas que prestam serviços em Sergipe sobre a paralisação que até o momento já contabiliza aproximadamente 70% de adesão dos profissionais que atuam nessa área. Ainda segundo denúncias da Força Sindical, até o momento nenhum progresso no pleito foi conquistado. "O ato de hoje foi justamente para mostrar a sociedade aracajuana o quanto os patrões não apresentam interesse em debater as nossas reivindicações. Na realidade os construtores já reivindicam o plano de saúde, por exemplo, há mais de um ano e meio. Cansados de receber ‘não’, decidiram paralisar as atividades", pontuou.

Sem receber qualquer tipo de convocação para uma breve reunião, durante a caminhada de ontem os representantes do Sintracon se mostraram irreversíveis quanto ao atual momento da paralisação. "Depois de 18 anos trabalhando em construções, pela primeira vez presencio e participo de uma greve tão representativa. Muitos podem até reclamar do caos que estamos promovendo na cidade, só nós trabalhadores e as nossas famílias sabemos o trabalho difícil que levamos todos os dias", afirmou Manuel Bispo. Pressionado pelos operários, no mês passado o Sinduscon apresentou um reajuste de 5,84%, mas no mesmo dia foi rejeitado pela categoria.

Trânsito – Devido a manifestação ter sido promovida em vias públicas por parte dos trabalhadores, logo nas primeiras horas foi formado um congestionamento de aproximadamente três quilômetros na área central da capital sergipana. Deixando o problema ainda mais grave, os manifestantes saíram em marcha pela avenida Rio Branco e seguiram pela avenida Beira Mar. Por volta das 10h30, segundo cálculos da Superintendência Municipal de Transporte e Transito (SMTT), o congestionamento já ultrapassava a casa dos oito quilômetros.
Assim como Manuel Bispo, o mestre de obras Joselito Menezes também tentou defender o caos provocado no trânsito. "Entendemos a crítica dos motoristas, mas no Brasil parece que os benefícios para servidores de setores públicos e particulares só são atribuídos quando manifestações desse tipo são realizadas. Espero que agora os patrões percebam o quanto estamos dispostos a seguir com a greve, e atenda os nossos pedidos", declarou.

Explicações – Por nota, as construtoras informaram que: "O Sinduscon nos últimos cinco anos tem sido sensível e justo quanto às reivindicações dos trabalhadores, tendo neste período, concedido um aumento de 65,89% para os profissionais, o que representa um ganho real de 34,01% sobre a inflação oficial. As negociações coletivas iniciaram em janeiro, e tendo analisado as reivindicações, foram realizadas duas reuniões de mediação na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego e mais duas reuniões na sede do Sinduscon, cujas negociações evoluíram. Na terceira reunião agendada, os membros da Comissão de Negociação do sindicato foram surpreendidos com o retrocesso de tudo o que havia sido negociado em relação a percentual de aumento salarial e com uma atitude não condizente da comissão de negociação do Sintracon, o que ensejou a solicitação, pelo Sinduscon, a retomada da intermediação do Ministério do Trabalho através de sua Superintendência Regional".

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