OS ALEMÃES E O LIVRO DE HITLER

 

Proibido na Alemanha desde o fim da Segunda Guerra, o Mein Kampf, livro escrito por Adolf Hitler, volta agora ser publicado. Certamente, até por uma natural curiosidade, o livro considerado a ¨bíblia¨ do nazismo ganhará muitos leitores. Poderá, segundo preveem os editores, alcançar uma tiragem superior a cem mil exemplares. É comentado por historiadores que apontam os absurdos, as incoerências, a desumanidade de Hitler, e gramáticos mostram os seus erros de alemão. Mas não há nenhum perigo de que o nazismo volte a seduzir as pessoas e se transforme em ameaça à solidez da bem estruturada democracia alemã. Os alemães cultos, os estudiosos da história, já tiveram a oportunidade de ler o Mein Kampf publicado em diversos outros idiomas. Proibir livros, sejam eles quais forem, não é atitude de uma democracia coerente. No caso alemão a tragédia causada por Hitler até justificava de certa forma a proibição enquanto havia nazistas raivosos. Mas a sociedade alemã, exemplarmente, soube condená-los ao descrédito.
Hitler começou a escrever o Mein Kampf (Meu Credo) assim que entrou na prisão militar de Landsberg Sobre o Lech, em abril de 1924. O cabo do exército que ficara temporariamente cego atingido por gases de mostarda na batalha de Ypres durante a Primeira Guerra, comandara uma tentativa de golpe em novembro de 1923, que ficou conhecida como o ¨Putsh de Munique¨. Ele já era o líder do movimento nazista, e ao lado dele participaram do frustrado golpe altas personalidades da monarquia substituída pela turbulenta República de Weimar, entre os quais o generalíssimo Ludendorf, herói da Primeira Guerra. 
Hitler escreveu a sua arenga sebosa em menos de um ano. Na apresentação do Mein Kampf disse: ¨Com este livro eu não me dirijo aos estranhos, mas aos adeptos do movimento que ao mesmo aderiram de coração, e que aspiram esclarecimentos mais substanciais¨. O livro foi um insucesso, poucos o leram. Mas, dois anos depois da posse de Hitler como Primeiro Ministro em 30 de janeiro de 1933, já era a publicação com maior tiragem no país, distribuída intensamente por toda a Alemanha. A família alemã que não tivesse na cabeceira o Mein Kampf era vista com perigosa suspeição.
No livro, Hitler revelou todos os seus objetivos: a ocupação do espaço vital – Lebensraum – nos países do leste europeu, a guerra contra a França, a Inglaterra, a União Soviética, o domínio do mundo; o extermínio das ¨raças inferiores¨, para que       o ¨homem superior¨, os alemães de sangue puro, fossem senhores da terra. Pena que os líderes mundiais, entre eles o amofinado primeiro ministro inglês Chamberlain, não houvessem lido a perigosa escrita. Se o fizessem, teriam sabido que a guerra era inevitável, e não permitiriam a Alemanha rearmar-se, tornando-se poderosa, e sob o comando de um louco.
Em 1962, quando aqui radicalizava-se o cenário político no confronto entre a esquerda e a direita, a publicação do livro Guerra de Guerrilhas, de Che Guevara, gerou um turbilhão de indignados protestos nos parlamentos, nos quartéis, nas igrejas. O ministro da Justiça Abelardo Jurema decidiu então proibir a circulação do manual de Guevara e também do livro de Hitler, que fora editado muito antes, e sem que ocorressem protestos.
Mas o próprio Hitler escreveu no Mein Kampf: ¨Sei muito bem que se conquistam adeptos menos pela palavra escrita do que pela falada, e que, neste mundo, as grandes causas devem seu desenvolvimento não aos grandes escritores, mas aos grandes oradores¨.

Proibido na Alemanha desde o fim da Segunda Guerra, o Mein Kampf, livro escrito por Adolf Hitler, volta agora ser publicado. Certamente, até por uma natural curiosidade, o livro considerado a ¨bíblia¨ do nazismo ganhará muitos leitores. Poderá, segundo preveem os editores, alcançar uma tiragem superior a cem mil exemplares. É comentado por historiadores que apontam os absurdos, as incoerências, a desumanidade de Hitler, e gramáticos mostram os seus erros de alemão. Mas não há nenhum perigo de que o nazismo volte a seduzir as pessoas e se transforme em ameaça à solidez da bem estruturada democracia alemã. Os alemães cultos, os estudiosos da história, já tiveram a oportunidade de ler o Mein Kampf publicado em diversos outros idiomas. Proibir livros, sejam eles quais forem, não é atitude de uma democracia coerente. No caso alemão a tragédia causada por Hitler até justificava de certa forma a proibição enquanto havia nazistas raivosos. Mas a sociedade alemã, exemplarmente, soube condená-los ao descrédito.

Hitler começou a escrever o Mein Kampf (Meu Credo) assim que entrou na prisão militar de Landsberg Sobre o Lech, em abril de 1924. O cabo do exército que ficara temporariamente cego atingido por gases de mostarda na batalha de Ypres durante a Primeira Guerra, comandara uma tentativa de golpe em novembro de 1923, que ficou conhecida como o ¨Putsh de Munique¨. Ele já era o líder do movimento nazista, e ao lado dele participaram do frustrado golpe altas personalidades da monarquia substituída pela turbulenta República de Weimar, entre os quais o generalíssimo Ludendorf, herói da Primeira Guerra. 

Hitler escreveu a sua arenga sebosa em menos de um ano. Na apresentação do Mein Kampf disse: ¨Com este livro eu não me dirijo aos estranhos, mas aos adeptos do movimento que ao mesmo aderiram de coração, e que aspiram esclarecimentos mais substanciais¨. O livro foi um insucesso, poucos o leram. Mas, dois anos depois da posse de Hitler como Primeiro Ministro em 30 de janeiro de 1933, já era a publicação com maior tiragem no país, distribuída intensamente por toda a Alemanha. A família alemã que não tivesse na cabeceira o Mein Kampf era vista com perigosa suspeição.

No livro, Hitler revelou todos os seus objetivos: a ocupação do espaço vital – Lebensraum – nos países do leste europeu, a guerra contra a França, a Inglaterra, a União Soviética, o domínio do mundo; o extermínio das ¨raças inferiores¨, para que       o ¨homem superior¨, os alemães de sangue puro, fossem senhores da terra. Pena que os líderes mundiais, entre eles o amofinado primeiro ministro inglês Chamberlain, não houvessem lido a perigosa escrita. Se o fizessem, teriam sabido que a guerra era inevitável, e não permitiriam a Alemanha rearmar-se, tornando-se poderosa, e sob o comando de um louco.

Em 1962, quando aqui radicalizava-se o cenário político no confronto entre a esquerda e a direita, a publicação do livro Guerra de Guerrilhas, de Che Guevara, gerou um turbilhão de indignados protestos nos parlamentos, nos quartéis, nas igrejas. O ministro da Justiça Abelardo Jurema decidiu então proibir a circulação do manual de Guevara e também do livro de Hitler, que fora editado muito antes, e sem que ocorressem protestos.

Mas o próprio Hitler escreveu no Mein Kampf: ¨Sei muito bem que se conquistam adeptos menos pela palavra escrita do que pela falada, e que, neste mundo, as grandes causas devem seu desenvolvimento não aos grandes escritores, mas aos grandes oradores¨.

 

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