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OS CAMINHOS DE RESISTÊNCIA E EVOLUÇÃO DO FUTEBOL FEMININO DO BRASIL (IV)


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Publicado em 28 de julho de 2023
Por Jornal Do Dia Se


* Vânia Azevedo e Thauan Santana Fonseca

Não há como falar de futebol feminino no Brasil sem citar o empresário carioca Eurico Lira Filho, presidente do Esporte Clube Radar, clube carioca fundado em 1932, famoso pelo futebol praticado nas praias da zona sul do Rio de Janeiro (uma tendência da época), com sede em Copacabana, e maior incentivador da modalidade.
Quando a Lei que proibia a prática do futebol feminino finalmente foi revogada, o empresário Eurico Lira, que acumulava as funções de presidente do EC Radar e técnico da equipe, encontrou no cenário esportivo seu lugar de destaque quando iniciou uma série de conquistas e realizações. Ainda que haja algumas publicações citando o ano de 1981 como ano de fundação do EC Radar, no entanto, o que ocorre nesse ano é a criação de departamento de futebol feminino do clube, e não tardou para que a equipe logo conquistasse o I Campeonato Estadual Feminino do estado do Rio de Janeiro (organizado pela divisão feminina da FFERJ), e a I Taça Brasil de Futebol Feminino da CBF, ambas as competições realizadas em 1983.
Embalado pelos ventos do sucesso, o EC Radar deu sequência a uma série conquista que incluía a antiga Taça Brasil, chegando a se tornar Hexacampeão: 1983, 1984, 1985, 1986, 1987 e 1988. Numa sequência arrebatadora de conquistas, tornou-se Hexacampeã do Campeonato Carioca no período que compreende entre 1983 e 1988; e já no ano seguinte sagrou-se campeão no Torneio Brasileiro de Clubes. O sucesso da equipe ganhou projeção com o desempenho obtido ao representar o Brasil na Espanha em 1982, solidificando uma trajetória de sucesso que possibilitou a convocação de maioria de suas atletas para compor a seleção Brasileira de 1988.
Efetivamente os sonhos de Eurico Lira não tinham nada de modestos, levando o empresário a buscar patrocinadores de peso para a equipe (Le CoqSportif, Unibanco, Mondaine) cujo caminho do sonho visava a criação de campeonatos e, mais ainda, de uma seleção nacional. Porém, as somas disponibilizadas pelos patrocinadores jamais chegaram ao bolso dessas atletas, que sempre foram usadas enquanto o clube arrecadava satisfatoriamente.
Contudo, nada impedia que essas abnegadas jogadoras continuassem desempenhando seus papéis nas equipes e conquistando títulos, em troca de uma insignificante ajuda de custos para o deslocamento diário até os treinos, ou um favor qualquer a seus familiares.
Embora imensamente reconhecida a trajetória de um time vencedor que marcou a temporada da década de 1980, esse time de ouro (Meg, Pelezinha, Fernanda, Cláudia, Maradona, Maria Helena, Elza, Fia, Celinha e Salaleto) terminou com o final da década. O tempo foi ingrato com elas e, nem mesmo todas as conquistas foram suficientes para garantir a continuidade dos apoios dos patrocinadores e o incentivo da mídia. A década de 1990, aliada às dificuldades econômicas enfrentadas pelos seus gestores, foram determinantes para que o EC Radar encerrasse as suas atividades. Sem campeonatos, as dificuldades voltaram, mas o legado dessa equipe permaneceu vivo e algumas de suas atletas seguiram em frente e voltaram a vestir a camisa da seleção brasileira – com destaque para Meg, uma goleira de reconhecido talento internacional que havia migrado do handebol. Ainda assim, durante a Copa do Mundo de 1991, a seleção brasileira foi basicamente formada por atletas do extinto EC Radar.
Definitivamente o EC Radar foi muito mais que um clube: uma escola de futebol que marcou época e fez história no futebol feminino do Brasil.

* Vânia Azevedo, professora aposentada da SEED/Universidade Tiradentes e scritora; Thauan Santana Fonseca, Mestrando em História – UFRB

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