Milton Alves
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Uma pane mecânica no aparelho de Radiote-rapia do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) causou na manhã de ontem um protesto e transtornos para cerca de 20 pacientes que aguardavam pelo procedimento clínico no setor de oncologia da unidade. Conforme denunciado pelos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), desde junho a Bomba do Chiller, equipamento utilizado para resfriar a máquina e mantê-la funcionando, estava danificada, mas foi consertada na última quinta-feira, 13. Na tarde do último domingo, 16, o maquinário voltou a registrar problemas e consequentemente parou de funcionar. Minutos após a manifestação realizada nas intermediações do setor de oncologia, a direção do hospital informou que medidas emergenciais já estavam sendo adotadas a fim de minimizar os problemas.
O problema já é acompanhado pelo Ministério Público Estadual (MPE), e segundo a direção do Huse ontem mesmo o equipamento já havia sido consertado e estava atendendo aos pacientes que haviam marcado tratamento para o período vespertino. Através da Assessoria de Comunicação do Huse, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) informou que técnicos que residem em outros estados foram acionados com urgência para retornar a Sergipe e promover novo conserto da radioterapia. Com a regularização da Bomba do Chiller, a perspectiva agora é que os atendimentos retomem o ritmo acelerado com o propósito de reduzir o número de pacientes que aguardam para iniciar o tratamento médico.
Segundo a SES, atualmente 63 pessoas permanecem na fila de espera para dar início ao tratamento contra o câncer. A agilidade na manutenção do equipamento foi necessária a fim de evitar que a demanda de assistência não viesse a aumentar. Apesar do reparo, muitos pacientes temem que o problema volte a acontecer e prejudique os sergipanos. De acordo com Helena Silva, que acompanha a mãe em tratamentos oncológicos, a reincidência destes problemas maquinários contribui diretamente para causar medo e angústia junto aos pacientes.
Segundo ela, o fator psicológico é fundamental nessa etapa do processo de recuperação da saúde e suspender um atendimento por falta de material é sinônimo de retrocesso. "Tudo bem que é possível a máquina quebrar, mas é muito constante e isso mexe com qualquer um, principalmente com aqueles que já se encontram bastante debilitados. Chega uma hora que estamos cansados de tanto ver os fatos se repetirem e por isso não aguentamos e fazemos manifestações. Eu não estive no protesto, mas soube quando cheguei aqui no Huse e apoio. Quem sabe melhorias não são realizadas depois dessa cobrança", disse Helena.
Ainda de acordo com atendentes do hospital, o andamento dos tratamentos segue em ritmo normal. Já sobre os pacientes que não foram atendidos na manhã de ontem, a perspectiva é que em curto prazo novas datas sejam marcadas de acordo com a disponibilidade de cada cidadão usuário do sistema.
Erro de identificação dificulta liberação de corpo no Huse
Um equívoco no prontuário de atendimento do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) causou problemas para a família de Thiago Rodrigues dos Santos. O fato foi registrado na manhã de ontem quando os parentes perceberam um erro no nome do rapaz, o qual impossibilitou que o médico que estava de plantão liberasse o corpo. Vítima de acidente de trânsito nas proximidades do Centro de Itabaiana, ocorrido na manhã da última sexta-feira, 14, Thiago Rodrigues chegou a ser encaminhado às pressas para o hospital regional, mas diante da gravidade no quadro clínico necessitou ser transferido para o setor de emergência do Huse. O óbito foi registrado ainda durante a madrugada, mas o corpo só foi liberado depois das 8h30 com a chegada de outros médicos plantonistas que deram seguimento ao reparo do erro.
De acordo com a Assessoria de Comunicação do Huse, todos os procedimentos internos, como assinatura da ficha de anestesia e demais procedimentos hospitalares feitos junto ao paciente foram realizados com o prenome de Antônio, em vez de Thiago. O nítido equívoco no preenchimento do prontuário de atendimento gerou precaução por parte do médico plantonista que preferiu, por bem, não liberar o corpo e se envolver com possíveis problemas. Apenas após confirmação da troca de nomes foi que a direção do Huse consertou a troca de identidades e atendeu aos familiares que imploram por agilidade no procedimento de atestado de óbito e liberação do cadáver para que fosse dado início à cerimônia fúnebre.
Thiago, que era natural do município pernambucano de Itacaratu, teria saído de moto na manhã da sexta-feira e não comunicou aos parentes e amigos qual destino tomaria naquele dia. Segundo Valdivan Moreno, primo da vítima que veio ao Estado de Sergipe para acompanhar o tratamento de saúde, a esperança era que a vítima se recuperasse, mas isso não foi concretizado. "A cidade toda está em luto com essa notícia triste da morte do meu primo. A gente esperava que ao menos o velório fosse realizado ainda na segunda-feira, mas com esse problema na troca de nomes eu acho muito improvável que aconteça. Infelizmente estamos passando por um momento de muita dor e ainda temos que enfrentar essa falta de atenção na troca do principal nome do meu primo", criticou.
Questionado sobre o suporte administrativo concedido pelo Huse junto à família após conhecimento do equívoco, Valdivan Moreno destacou que assessores tentaram agilizar o processo de reparo do problema, mas disse que empecilhos gerados com a troca de nomes jamais serão esquecidos pelos familiares que aguardavam ansiosos pela liberação do corpo. "Todos perceberam o erro e tentaram correr para corrigir, mas muito tempo foi perdido e a gente mora longe e cada minuto é uma eternidade. Mesmo triste com tudo o que estamos tendo que enfrentar e aceitar, esperamos que o caso do meu primo seja usado como lição para os atendentes ficarem mais atentos na hora de preencher o formulário de entrada no hospital", pontuou.


