Pais discordam de transferência de bebês de maternidade

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

As últimas 48h foram de bate boca e muito desentendimento na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, em Aracaju. O início do tumulto foi registrado na noite da última quinta-feira, 15, quando a direção da unidade comunicou a familiares que quatro crianças seriam transferidas para o Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), pois necessitava dos espaços até então ocupados pelos bebês. A transferência era em caráter de urgência para a realização de um procedimento cirúrgico. Já na manhã de ontem a direção da maternidade acionou o Conselho Tutelar por indicar um possível abandono de incapaz, promovido pelos responsáveis pelas crianças. Inconformados com tal atitude dos gestores, os familiares se deslocaram para a Delegacia Plantonista Metropolitana e oficializaram um boletim de ocorrência.
Segundo os pais, a unidade hospitalar não apresenta reais condições estruturais, técnicas e de ampla segurança para as crianças, e essa mudança poderia causar problemas mais significativos para os recém-nascidos. Preocupados com a decisão adotada pela maternidade, o casal Alisson Ernando Andrade e Joseneide Bezerra Silva se mostrou contra a medida e informou que não permitiriam que a decisão fosse de fato adotada. Diante do impasse e revolta dos familiares, um grupo de profissionais do Huse havia se deslocado até a maternidade a fim de garantir segurança para as crianças. Diante dos gestores, os pais aceitaram a mudança, porém com um termo de responsabilidade assinado pelo superintendente da maternidade, Luís Eduardo Prado Correia. A contraproposta foi recusada.
Para Alisson, essa seria uma prova que nem os gestores públicos confiam na qualidade de atendimento e preservação da vida dos pacientes que encontram-se internados no maior hospital público de Sergipe. "Quando a gente decidiu aprovar essa mudança eles até aparentaram um alívio, mas quando dissemos qual seria o trato, ninguém, nem o superintendente nem ninguém disse disposto a assinar o termo. Eles sabem que essa medida é arriscada e põem em altíssimo risco a vida da minha filha e das outras três crianças", disse. Em contrapartida, após ter se recusado a assinar o termo de responsabilidade, Luís Eduardo informou que a transferência era de suma importância para evitar infecções.
Segundo o superintendente, uma criança estava sendo encaminhada para o centro cirúrgico da maternidade e durante o atendimento médico as demais crianças poderiam ser infectadas, causando assim, agravamento do quadro clínico. Para a direção geral da Maternidade Nossa Senhora de Lourdes o setor pediátrico do Huse ao longo dos últimos anos passa por processos de ampliação e qualificação e não apresenta perigo para os respectivos pacientes. "Eles se acostumaram com a comodidade de não precisar ficar com as crianças enquanto elas estão aqui, pois contamos com uma equipe que faz esse acompanhamento. Tem crianças de 10 meses que estão internadas aqui, mas que tem condições de ir para uma enfermaria pediátrica", declarou.
Sobre o suposto abandono realizado pelos pais, os familiares voltaram a criticar a medida administrativa adotada pelos gestores e exigiram punições por parte da Secretaria de Estado da Saúde (SES), e pelo próprio governador Jackson Barreto de Lima. Insatisfeita com a presença do Conselho Tutelar, Ana Cláudia, mãe de uma criança de seis meses, disse que a direção tenta tirá-los ‘a pulso’. "É preciso que o nosso governador esteja de olho no que estão fazendo com a gente aqui. É dessa maneira que o estado quer melhorar a saúde? Estamos enfrentando momentos de humilhação e isso é um absurdo", declarou.

Transferência – Segundo informações concedidas ao Jornal do Dia pela Assessoria de Comunicação do Huse, até às 17h30 a unidade não havia registrado o protocolo de entrada das quatro crianças. Já pela central de atendimento da maternidade, nenhum gestor estava no local para apresentar novas informações e os demais servidores estariam terminantemente proibidos de prestar qualquer esclarecimento aos meios de comunicação.

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