Milton Alves Júnior
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Pais, alunos e professores da Escola Estadual Francisco Portugal se mobilizaram na manhã de ontem em frente a unidade estudantil para protestar contra a possível extinção das primeiras e segundas séries do Ensino Fundamental. Conforme denúncia dos manifestantes, uma possível falta de administração por parte do diretor, professor Edidelson dos Santos, estaria interferindo no progresso educacional de dezenas de jovens estudantes que brigam para se manter matriculados na instituição. A direção do Sindicato dos Professores da Rede Estadual de Sergipe (Sintese) decidiu apoiar a mobilização que acabou em confusão.
Diante da pressão imposta pelos populares com apoio do Sintese, o diretor acionou a Polícia Militar que se deslocou para o local com duas viaturas e nove agentes. Ao perceber a chegada dos militares, os manifestantes exigiam que a guarnição retirasse o próprio diretor de dentro da escola e ‘despejasse’ na sede da Secretaria de Estado da Educação (Seed). Inconformado com a possibilidade de ter que trocar o filho de escola, o auxiliar de serviços gerais, Antônio dos Santos, chegou a implorar ao novo secretario de educação, professor Jorge Carvalho, para que Edidelson dos Santos seja retirado do comando escolar.
Apesar do descontentamento e do significativo número de protestantes, nenhum indício de violência ou depredação do patrimônio público foi registrado pelos policiais que de longe acompanhavam o ato público. Mãe de dois alunos do Ensino Fundamental, a diarista Maria do Amparo disse estar vivendo dias de ampla conturbação. Isso porque, neste ano letivo que se inicia em fevereiro, um dos filho passa a estudar no quarto ano, e outro, no segundo. Para ela, vai ficar inviável que ambos permaneçam na escola instalada a poucos metros da sua residência. Apesar das promessas de solução por parte do Governo do Estado para a situação de Amparo, ela garante que a não exclusão destas duas turmas seria a melhor solução para toda a comunidade.
"Se meu dia tivesse 30 horas ainda seria curto, agora imagine eu ter que sair de casa deixar um filho pequeno em uma escola e correr para outra para deixar o outro, isso já até confunde minha cabeça. É difícil para todos nós, mas o diretor que sempre vem causando problemas para a gente não pensa nos outros. Estamos aqui na paz para lutar por nossos direitos, nem precisava ter chamado a polícia porque aqui não tem nenhum vagabundo", declarou.
"Acho ainda que a saída desse diretor e a continuidade dessas duas turmas será o ideal para todos aqui da Farolândia e do Augusto Franco. Já estou vendo que mais na frente os atrasos podem atrapalhar meus filhos. Quero um futuro pra eles melhor que o meu, mas parece que o diretor quer que esses alunos sejam pedreiros e domésticas daqui a alguns anos", afirmou. A professora Bethânia Teixeira, também integrante do movimento popular informou que o problema enfrentado por Maria do Amparo se reflete a outras mães que se juntaram ao Sintese para protestar. Segundo ela, desde a semana passada grupos estão se reunindo para juntos, buscar uma alternativa para o caso. A saída de Edidelson, que possui dois anos à frente da instituição, foi a opção mais votada.
Mudança – A Secretaria de Estado da Educação informou que as reivindicações têm sido registradas desde a noite da última quinta-feira, 15, e repassada para a Diretoria de Educação de Aracaju (DEA). A Seed garante também que todos os alunos do primeiro e segundo ano da escola Francisco Portugal serão matriculados, caso a extinção se conforme, na Escola Estadual Maria do Carmo Alves que também fica instalada no Conjunto Augusto Franco.
"A nossa luta é pra aumentar o número de matrículas em todas as escolas da rede estadual porque entendemos que as crianças que estão fora da escola devem entrar, e aquelas que permanecem estudando devem continuar. Para nós, o diálogo permanece aberto para conceder conforto para o coletivo, então posso garantir que a secretaria estuda meios que possam atender à população. Só não entendemos o porque do Sintese ter se envolvido, mas tudo bem", disse o comunicador Givaldo Batista.
Por fim, o porta voz da Seed nesse caso voltou a garantir que as crianças não vão ficar sem aula. "A nossa meta agora é reduzir ao máximo com analfabetismo, por isso que ressaltamos que ninguém vai ficar sem estudar", pontuou.


