Palestrantes discutem novos rumos do Judiciário

No último dia de trabalhos do VI Encontro Nacional do Poder Judiciário, que acontece em Aracaju até ontem, aconteceu uma exposição de ministros dos Tribunais Superiores. A abertura foi feita pelo presidente do STF e do CNJ, ministro Carlos Ayres Britto, que apresentou os palestrantes e disse que o Poder Judiciário brasileiro vive um novo tempo, assumindo-se como eminentemente republicano, ético e democrático.

"Estamos vivendo um momento novo, com mais um plus no Judiciário brasileiro. Não estamos mudando só de comportamento, mas também de mentalidade", enfatizou Carlos Britto. Já o presidente do Superior Tribunal Militar, ministro Álvaro Luiz Pinto, fez um balanço das metas estabelecidas para 2011 e 2012 e disse que a Justiça Militar vem perseguindo as metas que ainda não foram alcançadas. "Estamos empreendendo um grande processo de modernização", contou.

O presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro João Oreste Dalazen, informou que a Justiça do Trabalho poderá ser o primeiro segmento do Poder Judiciário a dispor de um sistema de processo eletrônico único nacional. Ainda segundo Dalazen, o planejamento estratégico é uma ferramenta de gestão que já integra a cultura do Poder Judiciário brasileiro.

Já o ministro Carlos Meira representou o presidente do Superior Tribunal de Justiça e disse que cada um dos 33 ministros do STJ julgou, de janeiro a setembro deste ano, quase sete mil processos. "Foram distribuídos, este ano, 295.102 processos e cerca de 230 mil já foram julgados. É uma produtividade de 70%", informou Meira, lembrando que a implantação do processo eletrônico trouxe inúmeros resultados positivos.

O olhar da sociedade – "Gestão do Poder Judiciário: o olhar da sociedade" foi o primeiro painel da manhã de ontem. A jornalista Eliane Cantanhêde lembrou que o Poder Judiciário era chamado de caixa preta. "Todo mundo viveu com essa expressão por décadas. Mas a sociedade brasileira avançou e as instituições também. O encontro de hoje é reflexo desse processo de cidadania", analisou a jornalista.

Ela citou vários exemplos de abertura do Poder Judiciário, como a TV e Rádio Justiça e a mudança de linguagem no site do STF. "Há uma interlocução do Judiciário com a sociedade. Os Ministros do Supremo conversam com os jornalistas", acrescentou Eliana, dizendo que o julgamento do ‘mensalão’ é um grande momento do Judiciário e, consequentemente, do país. "Você liga a TV e vê a argumentação de cada ministro. A linguagem é acessível. O juiz não fala para ele, mas para toda a sociedade", analisou.

O advogado e professor da UERJ, Gustavo Binenbojm, também elogiou a abertura do Judiciário. "Vivemos um momento indiscutível de afirmação do Poder Judiciário como um Poder da República. O julgamento de ex-ocupantes de cargos públicos está sendo televisionado ao vivo, sem cortes e sem censura", observou o advogado. Ele disse ainda que cabe ao Judiciário ouvir e entender os anseios da sociedade.

O olhar do administrador – O painel que encerrou as atividades da manhã teve como tema "Gestão do Poder Judiciário: o olhar do administrador". O empresário Jorge Gerdau falou sobre os aspectos da visão técnica de gestão. Formado em Ciências Jurídicas pela UFRS, em 1961, ele disse que o curso o ajudou a ter uma visão mais humanística dos fatos. Durante a apresentação, ele disse que a globalização exige qualidade, produtividade, inovação e sustentabilidade.

"No meu aprendizado, o capítulo que considero o mais complexo é a governança, que define o rumo e procura estimular as correções", enfatizou o empresário, dizendo que o Conselho Nacional de Justiça tem a dimensão de governança. Ao final da palestra, Gerdau fez um desafio à plateia: "que nenhum processo leve mais do que dois anos para ser julgado, por mais complexo que seja. Não há democracia estruturada se não houver um Judiciário célere. É um sonho, mas a gente vai, por etapas, realizando os sonhos".

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