Parentes reclamam de corte de alimentação de acompanhantes no Huse

Milton Alves Júnior

 

Acompanhantes de pacientes internados no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), em Aracaju, estão denunciando o corte no fornecimento de café da manhã e jantar na maior unidade pública do estado. Surpresos com a medida adotada desde a última quinta-feira, 17, e na esperança de reconquistar o benefício concedido há mais de 20 anos, os contribuintes ameaçam protocolar um dossiê junto ao Ministério Público Estadual (MPE) e ao Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe (TJ/SE). Conforme relatos apresentados pelos populares, a direção da unidade decidiu permanecer fornecendo apenas o almoço em virtude de a folha mensal destinado a alimentação a acompanhantes ter alcançado a casa dos 110 mil reais.

 O problema é que, para agravar ainda mais o cenário divulgado pelos críticos, como a Prefeitura de Aracaju, através da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), decidiu remover todos os vendedores ambulantes dos entornos do Huse, realizar lanches, ou mesmo adquirir uma refeição de qualidade ficou ainda mais difícil. Os dependentes do Sistema Único de Saúde alegam que nas últimas 48 horas mais de 600 pessoas deixaram de se alimentar por conta do hospital. Moradora do município de Lagarto, a dona de casa Rosana Passos diz ter enfrentado a fila para o jantar, quando foi comunicada que o nome não estava presente na lista de beneficiados. Além de ficar com fome, ela se emocionou ao relatar o constrangimento sofrido.

“Eu e muitas outras pessoas passaram vergonha. Enfrentei a fila toda, já estava com muita fome e a servidora disse que não poderia me dar o prato porque o Huse tinha contado esse direito. Eu venho sempre apenas com o valor da passagem e muitas vezes não tenho nem dinheiro pra comprar um refrigerante lá fora. Tive que passar a noite e a manhã de ontem com apenas um biscoito no estômago. Nem camelô tem mais lá fora pra comer um pastel”, lamentou. Compartilhando com as declarações da lagartense, Lucas Rodrigues dos Santos, que acompanha o irmão, também garantiu que seu nome foi removido sem sequer um aviso prévio.

 Ele espera que os órgãos de fiscalização estadual possam trabalhar em defesa dos pacientes e acompanhantes. “Enquanto o Huse reclama que está gastando 110 mil reais por mês de alimentação para os pobres, assim como eu que preciso acompanhar um amigo ou parente, os gestores da saúde gastam cerca de 150 mil reais por mês de aluguel de um prédio na Avenida Rio de Janeiro (Augusto Franco)”, reclamou.

Ainda de acordo com Lucas: “não estão fornecendo café e janta, e também não podemos trazer de casa. Quando algum fiscal vê, ele manda a gente sair de lado do nosso familiar e ir comer aqui fora”.

A Secretaria de Estado da Saúde (SES), informou que as informações apresentadas não correspondem com a verdade, e que, desde a última quinta-feira, 18 – data anunciada pelos acompanhantes como início do corte – a alimentação segue sendo disponibilizada dentro da normalidade.

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