Gabriel Damásio
A cantora Paulinha Abelha, vocalista da banda de forró Calcinha Preta, morreu às 19h26 de ontem, na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Primavera, no Jardins (zona sul de Aracaju). A informação foi confirmada no último boletim médico divulgado pelo hospital, às 19h45. Ela não resistiu a um quadro de lesão cerebral que comprometeu suas funções vitais, e estava em um tratamento de hemodiálise, pois sofreu insuficiência renal.
Segundo a equipe médica, a morte da paciente foi “em decorrência de um quadro de comprometimento multissistêmico”, que foi se agravando desde a tarde de anteontem, quando os médicos confirmaram que Paulinha estava em estado de “coma nível 3” da Escala de Glasgow, considerado o mais profundo. “Nas últimas 24 horas apresentou importante agravamento de lesões neurológicas, constatadas em ressonância magnética, e associada a coma profundo.Foi então iniciado protocolo diagnóstico de morte encefálica, que confirmou hipótese após exames clínicos e complementar específicos”, diz o boletim.
Drama – A morte da cantora pôs fim a um drama que durou quase duas semanas, desde que ela deu entrada no Hospital da Unimed, em Aracaju, queixando-se de dores, tontura e mal-estar. Ela já apresentava esses sintomas no último dia 11, enquanto acompanhava a Calcinha Preta em uma agenda de shows e entrevistas em São Paulo. No dia 17, ela entrou em “quadro neurológico grave e acabou transferida para o Primavera, onde ficou acompanhada por equipes médicas de terapia intensiva, neurologia e infectologia. Os médicos ainda não conseguiram um diagnóstico mais claro sobre o que teria causado o agravamento do quadro de saúde, e de maneira tão rápida.
O perfil oficial da Calcinha Preta replicou a nota divulgada pelo hospital e recebeu milhares de mensagens de pesar e solidariedade, tanto de fãs quanto de colegas do meio artístico nacional. “Impossível acreditar nisso! Paulinha é eterna em minha vida, no meu coração e na memória de todos os brasileiros. Obrigado, rainha, você fez história e jamais será esquecida”, lamentou o comediante alagoano Ed Gama. “O Brasil e o mundo perdem uma grande artista, dona de uma voz incomparável”, complementou o cantor piauiense Frank Aguiar.
Forró – Paula de Menezes Nascimento Leca Viana tinha 43 anos e nasceu em Simão Dias (Agreste), onde começou a cantar aos 13 anos de idade. Em pouco mais de 30 anos de carreira, atuou sobretudo em grupos de forró eletrônico como Panela de Barro e Gigantes do Forró. Ela entrou para a Calcinha Preta em 1998 e deixou o grupo duas vezes, para seguir carreira em parcerias com colegas de banda, como Marlus Viana (com quem foi casada por quatro anos), Silvânia Aquino e Daniel Diau. Seu último retorno ao grupo aconteceu em 2018.
Em toda a sua trajetória, participou da gravação de mais de 25 álbuns e DVDs, incluindo sucessos musicais de alcance nacional, como ‘Louca Por Ti’, ‘Baby Doll’, ‘Vou Te Dominar’, ‘Armadilha’, ’24 horas de Amor’, ‘Abra o Meu Coração’, ‘Ainda Te Amo’ e’Tutti-Frutti’. Nos shows, Paulinha encantava a muitos fãs por sua voz, sua simpatia, beleza e carisma. “Como não amar?”era o seu bordão mais conhecido.
Os horários e locais do velório e do enterro do corpo de Paulinha Abelha ainda não estavam definidos até o fechamento desta edição.

