Milton Alves Júnior
Um surto de síndrome gripal tem contribuído para que postos de atendimento, atendentes ao Sistema Único de Saúde (SUS) e à convênios particulares, apresentem aumento significativo no fluxo de crianças acolhidas em todos os 75 municípios sergipanos. Na capital, Aracaju, esse movimento intenso tem sido registrado desde a última quinzena de maio, quando a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) já havia registrado uma elevação superior a 110% na geração de novos protocolos de atendimento pediátrico. Pela terceira vez em menos de 20 dias, o Hospital e Maternidade Santa Isabel, localizado na zona Norte da capital, se deparou com a necessidade de restringir o acolhimento de pacientes com sintomas gripais.
Conforme já havia anunciado na última sexta-feira, 13, ao JORNAL DO DIA, a atual estrutura física, administrativa e profissional não suporta aceitar o acesso de mais pacientes; na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), por exemplo, há fila de espera. Crianças com o quadro clínico delicado, há mais de uma semana aguardando pelo surgimento de leitos adequados para seguir com o tratamento. O cenário é semelhante ao vivenciado, por exemplo, nos hospitais regionais Fernando Franco, no conjunto Augusto Franco, e no Nestor Piva, no bairro 18 do Forte, ambos administrados pela prefeitura de Aracaju. Na rede particular há indicativo de aumento no atendimento pediátrico em todas as unidades.
Um levantamento realizado pela SMS mostra que somente na primeira semana deste mês de maio as unidades de saúde contabilizaram 522 atendimentos em crianças na faixa etária dos 10 anos. Desse total, 342 foram em crianças de 0 a 4 anos. Diante da alta no número de crianças fora da faixa de vacinação contra a Covid, a secretária da Saúde de Aracaju, Waneska Barboza, alerta sobre a importância de buscar a vacinação contra a influenza para crianças com menos de seis anos. Pontualmente em termos percentuais, a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) provocou uma alta de 114,28%. A Secretaria da Saúde enalteceu que a SRAG é caracterizada por desencadear infecções pulmonares, e não deve ser exclusivamente associada à Covid-19.
“Mesmo nosso estado tendo predominância do clima mais quente, atualmente temos tido períodos com chuvas e essa alteração favorece o surgimento de sintomas gripais. Paralelo a isso, o município aderiu à Campanha Nacional contra a Influenza, que está imunizando crianças com idade entre seis meses a menor de cinco anos. Portanto, para evitar mais casos de síndromes respiratórias, alertamos os pais e responsáveis para levar as crianças para receber a vacina contra a gripe e protegê-las de quadros respiratórios graves”, tem destacado a secretária Waneska Barboza. As doses do imunizante seguem sendo aplicadas gratuitamente em Unidades Básicas de Saúde (UBSs).


