O desempregado José Carlos dos Santos, 42 anos, foi preso anteontem à tarde em uma casa no Bairro América (zona oeste de Aracaju), acusado de aliciar sexualmente uma garota de 13 anos de idade. Segundo a polícia, ele também armazenava fotografias pornográficas envolvendo crianças menores de 13 anos de idade, além de admitir práticas de pedofilia. José foi atraído até a casa da garota pela mãe dela, que, para detê-lo, contou com a ajuda de um primo que é policial militar. O caso foi apresentado ontem de manhã pelo Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV), que também divulgou uma foto do acusado. Ele será processado por dois crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
A delegada responsável pelo caso, Mariana Diniz, afirmou que Carlos aliciava as crianças através das redes sociais e mantinha contato com elas através de um perfil verdadeiro no Facebook e de uma identidade falsa com o nome de Yasmin na mesma rede social. "Ele fingia ser uma garota de 13 anos, que estimulava as vítimas a enviarem imagens de nudez a fim de facilitar a ação criminosa. O homem, fingindo ser menina, estimulava as crianças a falarem de assuntos inoportunos para sua idade, tais como virgindade, relacionamento com homens mais velhos, entre outros", disse Mariana.
A farsa de José Carlos na Internet só foi descoberta depois que a mãe de uma menina de 11 anos desconfiou do conteúdo das mensagens recebidas pela filha e passou a monitorar a Yasmim. "A mãe relata que Yasmin fazia perguntas e enviava mensagens não condizentes com a idade, chegando à conclusão que era um suposto pedófilo que estava mantendo contato com sua filha menor de idade", explicou a delegada Lara Schuster.
Segundo ela, o contato do desempregado com a menina foi se intensificando e durou cerca de quatro meses, mas tudo sob a supervisão da mãe. "Quando o pedófilo mandou uma mensagem para a vítima, dizendo que queria vê-la nua e perguntando se ele poderia marcar um local para tirar uma foto dela sem roupa, a mãe não perdeu a oportunidade e marcou um encontro com a Yasmin", destacou, ressalvando que ela correu riscos de segurança ao atrair o suspeito à própria residência.
Durante o interrogatório, José Carlos confessou ser pedófilo e disse que há cerca de quatro anos procurou ajuda psicológica para se tratar, mas abandonou o tratamento após a psicóloga dizer que iria denunciá-lo ao Ministério Público. Ele contou também que foi obrigado a fazer esse tratamento, por um integrante de sua família, como condição de não ser denunciado por um abuso sexual praticado contra uma sobrinha de sete anos de idade.
Ainda no depoimento prestado durante várias horas, as delegadas se convenceram que a imagem dele deveria ser mostrada à imprensa porque ele confessou que atuava na rede mundial de computadores, através do Orkut e do Facebook, há muitos anos e que manteve contato com dezenas de meninas nesse período. "Ele também nos disse que recebia e enviava fotos e vídeos de conteúdo pornográfico infanto-juvenil para outros usuários da rede e que todos os seus contatos tinha cunho sexual", destacou Mariana.
Lara Schuster destacou que o comportamento adotado pela mãe da criança na prisão desse pedófilo foi fundamental para a polícia elucidar o caso. "Crianças não podem ficar navegando sem proteção e sozinhas na internet. É uma terra muito perigosa e pessoas mal intencionadas se revestem de pele de cordeiro para conseguir uma aproximação, mas na verdade são os lobos maus dos tempos modernos", destacou.


