Pedras espalhadas em leito de rio

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

A Prefeitura de Aracaju deu início na manhã de ontem às obras de revitalização da balaustrada de parte da avenida Beira Mar, conforme exigido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe (TJ/SE). Em pouco mais de cinco horas de trabalho por parte dos funcionários da Celi, empresa responsável pela obra, quem passou pelo trecho entre o mirante do calçadão da 13 de Julho e a sede do Iate Clube de Aracaju pode perceber que centenas de pedras a serem utilizadas no aterro de parte do rio Sergipe já estavam devidamente instaladas no mangue. Orçada em R$ 4 milhões, a perspectiva da administração municipal é que a reforma geral possa ser finalizada em um prazo médio de seis meses.

A fim de acelerar a primeira etapa da construção, operários que atualmente prestam serviços em obras do Loteamento Marivan também estão sendo encaminhados para o local. Chamando a atenção de motoristas, pedestres e moradores do bairro, o movimento intenso de máquinas demonstra o interesse do prefeito João Alves Filho (DEM) em realizar o serviço e poder entregar mais uma obra idealizada na gestão do ex-prefeito da capital Edvaldo Nogueira (PCdoB).

Para o comerciante Frederico Lima Moura, a decisão da justiça deve ser comemorada, pois depois de sete meses de debate entre governantes estaduais e municipais a população começa a perceber que a obra está sendo realmente iniciada. "Já tinha passado da hora da justiça intervir nessa briga de interesses e de fato tomar uma atitude que beneficie a população, independente do interesse de seja lá qual for o grupamento político. O trânsito nessa região ficou um caos depois que interditaram uma das vias", declarou.

Em decorrência da mudança de rota, promovida pela Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT/AJU), muitos alegam que o comércio na região ficou ainda mais desfavorecido, principalmente devido a ausência de estacionamento. Ainda de acordo com Frederico, a esperança de todos os vendedores é que, com a conclusão da obra, os lucros saltem para mais de 100%, se comparado ao saldo financeiro atual.

Para evitar acidentes, placas de madeira estão sendo instaladas ao redor da obra e demais equipamentos de prevenção de acidentes, como: capacete, luva e botas, já estão disponíveis para todos aqueles que entram no espaço reservado para engenheiros e operários. Com o aval oficial da justiça sergipana, alguns moradores agora lamentam ter que enfrentar novos problemas. "Com certeza esse barulho todo vai encher a nossa cabeça e já pretendo redobrar a quantidade de remédios de dor de cabeça. Entendemos que esse é um procedimento natural do avanço de qualquer obra, por isso não estou reclamando, apenas lamentando", declarou o empresário Marcos Vinicius Peixoto que concluiu dizendo:
"Ficamos na torcida para que essa obra não tenha atraso e se Deus quiser nos seis meses declarados todos nós possamos ter nossa vida anterior de volta. Se for pra incomodar, que seja logo. Já esperamos demais". Inconformados com a decisão judicial, alguns ecologistas reprovaram o início da obra e dizem ter perdido mais uma ‘queda de braço’ com os interesses governamentais. Segundo a professa de Biologia Marta Sant’anna, o arrependimento começa a consumir aqueles que acreditaram em uma ‘solução’ para a cidade. "Ele fez isso na década de 70, quando eu ainda era estudante, e o resultado foi esse. Problemas na 13. Com mais essa atitude, certamente o problema vai se arrastar para outra região", disse.

Apesar de algumas críticas, inclusive por parte da secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), técnicos da Prefeitura de Aracaju ligados à Secretaria Municipal de Meio Ambiente garantem que com a obra o serviço será finalmente solucionado.

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