Com três dias de atraso no repasse do seguro defeso, pescadores de camarão continuam se aglomerando em frente à sede do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em Aracaju, na esperança de receber o benefício repassado pelo Governo Federal, por meio do Ministério da Agricultura, Pesca e Abastecimento. Segundo comunicado oficial emitido pelo órgão, um erro administrativo gerado pela própria colônia de pescadores contribuiu para o atraso. Conforme lamentações apresentadas pelos beneficiários, o clima de revolta começa a ampliar diante de uma possível incoerência nas informações apresentadas.
Pescador há mais de 25 anos, Laércio Menezes dos Santos, de 43 anos, alega ter entregue todos os documentos necessários dentro do prazo estabelecido pelo INSS. Sem ter como manter a família, e ciente da irregularidade na pesca do crustáceo até o último dia útil de maio, ele garante permanência na fila por tempo indeterminado. "Vou ficar, aliás, vamos ficar aqui até o momento que o nosso auxílio for entregue porque não temos mais como voltar pra casa sem o dinheiro no bolso. Também não tenho mais dinheiro para comprar passagem de ônibus. Se a gente não podia pescar, agora com esse atraso como é que vou conseguir manter a alimentação da minha família?", indagou.
A coordenação do defeso diz que em Sergipe há perspectiva de atendimento a 15 mil pescadores. Esses números estão cadastrados no Registro Geral de Pescadores (RGP). Na tentativa de garantir o beneficio, muitos pescadores estão chegando ao ponto de pagamento ainda durante a madrugada. Durante três meses, esteve restrito a pesca de arrasto com tração motorizada para a captura do camarão-rosa (Farfantepenaeus paulensis, F. brasiliensis e F. subtilis), camarão-sete-barbas (Xiphopenaeus kroyeri), camarão-branco (Litopenaeus schmitti), santana ou vermelho (Pleoticus muelleri) e barba-ruça (Artemesia longinaris).
O fim deste período ocorreu na última terça-feira, 31, mas muitos preferem permanecer enfrentando a fila. "Ou a gente fica aqui para garantir nosso dinheiro, ou a gente volta pro rio pra catar. Não vou arriscar perder nosso direito, mas também está todo mundo aqui agoniado para voltar logo aos trabalhos. Só pedimos mais atenção por parte dos responsáveis. São várias famílias esperando esse dinheiro chegar", afirmou a pescadora Ana Aline Matos. Segundo estratégia do Ibama, este período de defeso serve, mais uma vez, para garantir que os camarões jovens possam se desenvolver e desovar sem a interferências dos pescadores.


