Petrobras investe R$ 600 mi para recuperar campos terrestres

Gabriel Damásio

 

A Petrobras vai investir, ao longo dos próximos três anos, mais de R$ 600 milhões em um plano de revitalização da produção de petróleo e gás nos campos de exploração situado em Sergipe. O principal deles é o Campo de Carmópolis, em operação desde agosto de 1963. Os dados foram apresentados ontem, durante uma visita guiada de jornalistas convidados à Unidade Operacional da companhia em Carmópolis (Vale do Cotinguiba). Atualmente, ela tem 1.056 poços produtores em atividade, espalhados por 170 quilômetros quadrados de área e produção acumulada de 401,7 milhões de barris equivalentes de petróleo e gás – equivalente a 44% da produção total do Estado.

A principal estratégia de revitalização dos poços está no tratamento e reinjeção da água extraída dos poços junto com o petróleo, além da conversão de poços produtores antigos em injetores de água e da perfuração de novos poços produtores e injetores. A companhia está concluindo a implantação dos projetos de injeção de água em dois campos de exploração terrestre: o de Carmópolis e o de Siririzinho, em Siriri, que estão respectivamente com 93% e 90% dos projetos originais implantados. Atualmente, a Petrobras já conseguiu recuperar 22% dos poços do campo de Carmópolis, índice considerado excepcional se comparado a outros campos de exploração com mais de 50 anos de atividade.

De acordo com o gerente-executivo de Terras e Águas Rasas da companhia, Nilo Azevedo Duarte, o processo de revitalização dos poços vem sendo adotada desde a década passada, por causa da diminuição natural do volume produzido pela empresa. Ele explica que um campo de petróleo tem fases iniciais de exploração e estudos, antes do desenvolvimento da produção. “Com o tempo, o campo atinge o pico de produção e depois esse nível vai diminuindo. A revitalização é uma fase importante para ir recuperando e mantendo a produção dentro das condições de viabilidade”, disse.

O procedimento é realizado na própria extração do produto, através dos conhecidos ‘cavalos mecânicos’. O óleo bruto é enviado a uma estação de tratamento, na qual são separados o petróleo, o gás natural e a água. Enquanto o gás é processado na unidade de tratamento de Carmópolis e o petróleo vai para o Polo Atalaia, em Aracaju, a água segue para outra estação instalada no campo, onde é tratada, processada e enviada para as bombas que a reintroduzem nos poços. “O que estamos fazendo é injetar água no reservatório e naturalmente, além de ajudar a ‘varredura’ do óleo, restaurar a pressão [interna dos poços] e reduzir o declínio destes campos, que são bastante importantes”, esclarece o gerente.

Dados da companhia apontam que a recuperação dos poços conseguiu aumentar a produção terrestre de petróleo e gás em Sergipe, o que se refletiu no total estadual. Em 2016, a produção diária de óleo, condensado e líquido de gás natural (LGN) foi de 31.300 barris, enquanto a de gás chegou a 16.300 barris de óleo equivalente. A meta para os próximos anos é aumentar o índice de recuperação dos campos para 32%, além de implantar tecnologias desenvolvidas na própria unidade de Carmópolis, em parceria com o Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes). Uma delas é a injeção de vapores de água nos poços, aumentando igualmente a pressão nos reservatórios.

 

Estação de gás – Durante a visita guiada, a Petrobras apresentou aos jornalistas o Pólo Gás, nova planta de tratamento de gás natural instalada em Carmópolis, cujas obras terminaram em agosto do ano passado. Fruto de um investimento de R$ 250 milhões, a estrutura conta com cinco sistemas de compressão e duas torres de tratamento e descontaminação do gás extraído nos poços terrestres, substituindo outra estação que estava em atividade desde a década de 1970. “É uma unidade moderna, que coleta todo o gás produzido em terra de Sergipe e tem toda a capacidade de receber e processar essa produção”, assegura Nilo.

Foram construídos também mais de 130 quilômetros de dutos, que coletam o gás produzido nos campos de Carmópolis, Siririzinho e Mato Grosso (em Maruim). Ao todo, a capacidade de processamento e produção do gás aumentou para 450 mil metros cúbicos por dia, que são posteriormente processados em Aracaju e distribuídos no mercado geral (gás de cozinha, gás encanado, gás natural veicular [GNV] e outras variações). 

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