Petrobras prepara testes em novas bacias de SE

Gabriel Damásio

 

A Petrobras já se prepara para explorar os novos campos de petróleo e gás naturaldescobertos em águas ultraprofundas do litoral sergipano. Até 2019, a companhia deverá encaminhar à Agência Nacional do Petróleo um pedido de autorização para os chamados “testes de longa duração”, usados para avaliar as condições técnicas e econômicas de exploração dos recursos. Ao todo, são seis novos blocos, descobertos numa área entre 80 e 100 quilômetros de distância da costa sergipana. Dois deles são operados exclusivamente pela estatal brasileira, enquanto as outras quatro têm parcerias com as empresas ONGC, BharatPetroleum e Videocon Industries, da Índia.

Tais testes fazem parte do Plano de Avaliação de Descobertas (PAD), implantado pela Petrobras desde 2012, quando as novas reservas começaram a ser pesquisadas. Dois destes blocos, o de Farfan(na altura de Pirambu) e o de Moita Bonita (altura de Aracaju), já tiveram amostras retiradas e tiveram a constatação da presença de gás e “óleo leve, de boa qualidade”, o que gerou grandes expectativas do mercado e das autoridades sergipanas. Na época, analistas do setor estimavam que a área sergipana teria uma reserva de até 3bilhões de barris de petróleo que poderiam ser explorados economicamente.

Nesta semana, em visita guiada de jornalistas ao Campo de Carmópolis, o gerente executivo de Terras e Águas Rasas da companhia, Nilo Azevedo Duarte, explicou que o teste prolongado é a última fase de estudos antes do início efetivo da produção do campo, nos quais são testadas e avaliadas as condições de exploração na área e o quantitativo total de reservas que poderão ser extraídas de forma economicamente viável. “Nessa fase, a gente avalia como é o subsolo, qual é a profundidade, a técnica que será empregada, é a viabilidade da produção, o custo-benefício e outras questões que vão nos dar a certeza de que há condições de desenvolvimento da produção”, disse.

Uma das possibilidades de exploração da área é o uso de navios-sonda, embarcações equipadas para funcionar como uma plataforma móvel,perfurando áreas com mais de 2 mil metros abaixo do nível do mar, retirando os produtos (petróleo e gás) e levando-os até às unidades de processamento em terra, a exemplo do Polo Atalaia (antigo Tecarmo), em Aracaju, e do Polo Gás, em Carmópolis. A reportagem do JORNAL DO DIA pediu informações sobre as estimativas confirmadas em relação aos novos blocos de petróleo e gás em Sergipe. No entanto, a assessoria de comunicação da Petrobras não deu nenhuma resposta até o fechamento desta edição.

O início efetivo da produção das novas áreas chegou a ser marcado para 2018 e até a construção de um extenso gasoduto chegou a ser planejada, mas os planos foram adiados pela crise financeira da companhia, causada pelo estouro dos escândalos de corrupção descobertos na Operação Lava-Jato – com a prisão de diretores da empresa – em combinação com a queda brusca do preço do petróleo no mercado internacional. O Brent, índice que mede o valor do barril do produto, caiu de US$ 130no fim de 2013 para apenas US$ 25 em janeiro do ano passado. Somente neste ano em que o preço melhorou para US$ 54 e a cotação do dólar subiu para uma média de R$ 3,23, dando um respiro à companhia.

Essa conjuntura, aliadas a alguns erros no cumprimento de alguns prazos, chegou a causar uma crise entre a Petrobras e as parceiras indianas, por causa do anúncio de que a previsão de início das explorações no mar sergipano foi adiada para 2022. Isso fez com que a ONGC e a IBV Brasil (formada por Bharat e Videocon) iniciassem tratativas para vender os ativos e se retirar da parceria, conforme noticiado em julho de 2016 pela agência de notícias britânica Reuters, que publicou uma longa reportagem sobre o impasse. A Petrobras não esclareceu se este conflito foi de fato contornado, mas o gerente Nilo Duarte disse aos jornalistas sergipanos que os estudos referentes aos blocos não pararam e que o pedido à ANP para os testes prolongados será entregue entre 2018 e 2019. 

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Sergipe é o 7º maior produtor do país

 

O último Boletim da Produção dePetróleo e Gás Natural, divulgado mensalmente pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), mostra que o estado de Sergipe ocupa a sétima posição no ranking dos estados produtores de petróleo e gás natural. Em abril deste ano, os 17 campos produtores instalados no Estado produziram 36.291 barris equivalentes de óleo por dia, incluindo os índices diários de 22.491 barris de petróleo e 2,19 milhões de metros cúbicos de gás natural. Respectivamente, nosso estado responde nacionalmente por 2% da produção de gás natural e menos de 1% da de petróleo.

Os sergipanos são superados por Rio Grande do Norte, Bahia, Amazonas, São Paulo, Espírito Santo e o Rio de Janeiro, cuja Bacia de Campos coloca o estado na liderança da produção, com quase 2 milhões de barris equivalentes por dia. Já a produção de Sergipe é puxada pelo Campo de Carmópolis, descoberto em 1963 e que recebe um investimento de R$ 600 milhões para aumentar a produção em seus 1.056 poços. O campo, cujos 170 quilômetros quadrados de área se estendem por seis municípios do Vale do Cotinguiba, é o quarto maior campo terrestre em produção do país, tem atualmente uma reserva econômica de 156 milhões de barris equivalentes, de um total de 1,7 bilhão de barris.

Quanto à extração de petróleo no mar, da qual Sergipe foi pioneira com a descoberta do Campo de Guaricema, em 1968, a Petrobras tem atualmente 27 plataformas, com destaque para a de Piranema, cuja operação foi iniciada em 2007 e que tem a capacidade de produzir 30 mil barris por dia, mas atualmente produz menos que 7 mil. As outras se estendem pelo litoral sergipano, pelos campos deCaioba (três),Camorim (10), Dourado (três), Guaricema (oito) e Robalo (um).

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