Gabriel Damásio
Três mandados judiciais expedidos pelo juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba (PR) foram cumpridos pela Polícia Federal na manhã de ontem em Aracaju e Itabaiana (Agreste). Eles fazem parte da ‘Operação Sothis’, que é a 47ª fase da ‘Operação Lava-Jato’ e também foi deflagrada em cidades de São Paulo, Santa Catarina, Bahia e Pernambuco. Dos três mandados despachados para Sergipe, dois foram de busca e apreensão e um foi de condução coercitiva, no qual a pessoa é levada para prestar depoimento. Este mandado foi cumprido contra um engenheiro que mora em Aracaju e é ligado a uma empresa terceirizada que presta serviços à Transpetro, subsidiária da Petrobras.
O engenheiro, cujo nome não foi divulgado, foi detido no começo da manhã em sua residência, na zona sul de Aracaju, e levado para a sede da Superintendência Estadual da PF, no Siqueira Campos (zona oeste). Ele permaneceu no local por toda a manhã e foi liberado após prestar depoimento. Já um dos mandados de busca foi cumprido em uma casa na rua Barão do Rio Branco, centro de Itabaiana, onde quatro agentes federais foram vistos entrando na casa e saindo de lá levando documentos em um malote. Documentos também foram recolhidos na casa do engenheiro em Aracaju. A PF afirma que a casa pertence à mãe do engenheiro, mas seria registrada como sede da empresa Expansão Engenharia Queiroz Correia & Companhia Ltda.
De acordo com os investigadores da Lava-Jato, a empresa que foi alvo das buscas em Sergipe teria participação com um esquema de pagamento de propinas para favorecer contratos da empresa NM Engenharia com a Transpetro. O esquema, revelado por integrantes da NM em acordos de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF), teria movimentado R$ 7 milhões pagos entre setembro de 2009 e março de 2014. Por sua vez, o engenheiro detido em Aracaju teria ligações com o ex-gerente regional da subsidiária no Nordeste, José Antônio de Jesus, apontado como principal destinatário do dinheiro. Antônio foi preso em Camaçari (BA), em cumprimento a um mandado de prisão temporária de cinco dias.
Durante entrevista coletiva em Curitiba, a procuradora Jerusa Burmann Viecili, do MPF, confirmou que os cinco mandados de condução coercitiva, incluindo os de Sergipe, foram pedidos para “familiares do ex-gerente e pessoas relacionadas às empresas que receberam diretamente os pagamentos de vantagens indevidas nas suas contas bancárias”. Disse também que o ex-gerente José Antônio exigia o pagamento de 0,5% dos valores dos contratos firmados entre a NM e a Transpetro, que ia justamente para estas contas. “Nesse caso houve um dos esquemas mais rudimentares de lavagem de dinheiro da Lava Jato. A propina saía da conta bancária da empresa de engenharia para a conta bancária de empresa do filho, sem qualquer contrato ou justificativa para o repasse do dinheiro”, disse Jerusa.
O nome da operação, ‘Sothis’, refere-se à forma como os antigos egípcios chamavam a estrela ‘Sirius’, uma das mais conhecidas da constelação celeste. ‘Sirius, por sua vez, é o nome de uma das empresas investigadas nesta fase da Lava-Jato. A PF diz que outros fatos relacionados ao esquema na Transpetro continuam sendo apurados, incluindo a suspeita de que as propinas também beneficiariam o Partido dos Trabalhadores (PT), com o qual José Antônio tem ligações políticas. Em nota, o PT acusou a Lava-Jato de “se desviar do combate à corrupção para fazer guerra judicial e midiática contra o partido” e alegou que “não tem qualquer participação nos fatos investigados e tomará as medidas judiciais cabíveis diante das condutas levianas e ilegais de quem acusa sem provas”. (com Agência Brasil).


