PF faz buscas na casa de itabaianense preso por atos golpistas em Brasília

Na madrugada do dia 14 de fevereiro agentes da Polícia Federal estiveram no município de Itabaiana com a missão de dar seguimento à Operação Lesa Pátria.

Milton Alves Júnior

Agentes da Polícia Federal estiveram na madrugada de ontem no município de Itabaiana dentro da Operação Lesa Pátria, responsável por investigar em todo o país a conduta de terroristas flagrados e presos depois de invadir o Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal (STF), depredar e causar um prejuízo aos cofres públicos em mais de 20 milhões de reais.
Entre os 940 suspeitos presos no Complexo Penitenciário da Papuda desde aquele 08 de janeiro – momento em que um golpe de estado foi ensaiado -, está o sergipano Luciano Oliveira dos Santos, cidadão itabaianense popularmente conhecido como: Popó Bolsonaro. Ele foi identificado pela Polícia Federal como um dos invasores responsáveis por praticar atos antidemocráticos na Praça dos Três Poderes, em Brasília.
Conforme revelado por Lúcia Oliveira dos Santos, 67 anos, mãe do suspeito, os agentes federais bateram no cadeado da residência por volta das 5h45, e, de forma educada, se apresentaram e pediram permissão para entrar no imóvel. A princípio dois policiais seguiram para o quarto de Luciano, mas no local se depararam apenas com uma cama forrada. Questionada sobre onde estariam os pertences do investigado, Lúcia indicou que roupas e demais pertences ficavam em outro compartimento da casa. Não foram encontrados aparelhos eletrônicos ou documentos físicos que pudessem contribuir com os estudos criminais. Questionada sobre a ocupação trabalhista de Luciano, a mãe indicou que ele estava sem emprego; sobre quem poderia ter financiado a viagem dele, Lúcia disse que não sabia.
Em entrevista concedida à Rádio Fan FM, ela disse estar abalada com o nível de paixão cultivada pelo filho para com o ex-presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, e que por inúmeras vezes buscou lhe convencer a abandonar a linha de defesa ao político líder do Partido Liberal (PL). “Ele é apaixonado por Bolsonaro, isso todo mundo em Itabaiana sabe. É apaixonado por Bolsonaro. E eu falava para ele: Popó, se apaixone por uma mulher! Vai se apaixonar por Bolsonaro, meu filho? Pois sua mãe é apaixonada por Deus, não é por político, não. Aí ele começava a dizer que eu ia deixar de receber meu salário, que o atual presidente não ia mais pagar e dar ajuda ao povo. Ele dizia que ia viajar, mas não me falava quando chegava nem nada e nem dizia quem bancava ele. Ele chegou uns quatro dias antes, dizendo que ia viajar”, relatou.
Entre os crimes que os presos respondem está: associação criminosa; incitar a animosidade entre as Forças Armadas contra os Poderes Constitucionais; tentativa de abolir, com grave ameaça ou violência, o Estado Democrático de Direito; golpe de Estado; dano qualificado pela violência e grave ameaça, com emprego de substância; inflamável, contra o patrimônio da União e com considerável prejuízo para a vítima; associação criminosa armada; e deterioração de patrimônio tombado. Parte deste prejuízo está sendo pago por empresários e políticos que foram identificados pela própria Polícia Federal como financiadores de caravanas oriundas de todas as regiões do país. Estas pessoas tiveram suas contas bloqueadas por determinação judicial. O bolsonarista foco de investigação em Sergipe é irmão do ex-presidente da Câmara dos Vereadores de Itabaiana, Zé Roberto.

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