PM reformado é morto a tiros em assalto no Centro

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

O sargento reformado da Polícia Militar Carlos Roberto Santana Nascimento, 50 anos, morreu às 21h de anteontem, após reagir a uma tentativa de assalto que sofreu na esquina das ruas Apulcro Mota e Florentino Menezes, centro de Aracaju. O crime foi cometido por dois homens armados que atiraram no policial e tentaram fugir do cerco que se seguiu, mas acabaram presos. Um deles, Djalma dos Santos, 26, que é foragido da Penitenciária Estadual de Areia Branca (Peab), levou um tiro na perna e está internado sob custódia no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). O outro, Edeilson Santos Bonfim, 18, foi preso na Rua Rosário, bairro Santo Antônio (zona norte), e confessou ter matado o ex-policial.

Segundo a polícia, Santana passava de moto pelas lojas da Apulcro Mota, voltando da visita que fez a um amigo que trabalhava no local. Ao parar para verificar o telefone, ele foi surpreendido pelos assaltantes, que chegaram por trás e exigiram que ele descesse da moto, uma XT 300. Um dos suspeitos teria tentado tomar a chave do sargento e este reagiu sacando sua arma, uma pistola calibre ponto 40. Segundo o relato de Edeilson, Santana foi o primeiro a atirar e acertou a perna de Djalma, que estava armado com um revólver calibre 38. "A gente foi fazer o assalto. Ele puxou a pistola e disse que era policia. O meu parceiro já tinha puxado o ‘ferro’. Ai, ele [o sargento] pegou e deu um tiro pegou na perna do parceiro, que caiu pra cima dele", disse o preso em uma gravação.

O acusado admitiu ainda que, durante a briga, ele conseguiu tomar a arma de Santana e disparou-lhe cerca de cinco tiros, acertando o peito e a cabeça da vítima. "Tomei a pistola, dei os tiros e saí correndo", afirmou Edeilson, ao contar que correu até o Santo Antônio e foi preso por policiais da Companhia de Policiamento de Radiopatrulha (CPRp). Além da pistola do ex-policial, ele estava ainda com um telefone celular. Djalma também fugiu, mas foi achado em um beco da Avenida Coelho e Campos e atendido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que o levou ao Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), onde o mesmo permanecia internado.

Santana, por sua vez, morreu antes da chegada do socorro médico. O corpo do sargento reformado só foi liberado no final da manhã de ontem pelo Instituto Médico-Legal (IML), pois o médico legista escalado para o plantão da madrugada não compareceu, deixando os serviços acumulados para a equipe da manhã. A demora aumentou o transtorno da família, mas só foi superada pela tristeza com a morte do ex-PM. Casado e pai de dois filhos, ele era lutador de artes marciais, estava há cerca de 30 anos na corporação e entrou recentemente para a reserva remunerada.
"Eu classifico o Santana na minha vida como uma bateria carregada que mantém o celular funcionando para se comunicar com as pessoas. Quando essa bateria descarrega, como o Santana ‘descarregou’ ontem, é lógico que o aparelho perde uma parte principal e não funciona. É assim como me sinto hoje, tendo que viver sem essa parte. Nós fomos criados juntos desde a infância, somos de uma família de policiais que veio desde Alagoas e só nos separávamos pra ir para suas casas", disse o primo José Laurindo, também policial militar e que entrou junto com ele na repartição. O corpo está sendo velado no velatório Osaf, na Rua Itaporanga (Centro) e será enterrado hoje de manhã.
O caso foi registrado na Delegacia Plantonista (Centro), onde Edeilson e Djalma foram autuados em flagrante por crime de latrocínio (roubo seguido de morte).

Compartilhe esta notícia