Milton Alves Júnior
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Ao constatar insuficiência no quadro de profissionais e precariedade no serviço prestado, a Prefeitura de Aracaju, por intermédio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), decidiu, sem consultar a população e profissionais da área de saúde, privatizar os atendimentos prestados pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPs), e suspender todos os tratamentos. Visivelmente surpresos com a decisão municipal, usuários e familiares promoveram ontem um ato público contra o prefeito João Alves Filho, e contra o secretário Luciano Paz. Na unidade David Capistrano Filho, localizado no bairro Atalaia, o movimento recebeu o apoio de servidores da saúde.
Entre os profissionais ligados à SMS que compartilham, e agregam ao movimento, estão psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, técnicos administrativos, médicos e nutricionistas. De acordo com a psicóloga Thaís Souza, é inadmissível que a gestão municipal decida suspender as atividades do CAPs sem sequer buscar dialogar com a comunidade assistida. Além de julgar falta de respeito junto aos usuários contribuintes, a servidora destaca possível falta de sentimento humanista por parte dos gestores que aprovaram a terceirização. A Secretaria Municipal de Saúde já informou que a Organização Não Governamental Luz do Sol ficará responsável pelo posto.
"Muitos colegas aqui de trabalho investiram muito nos estudos de saúde mental ao longo dos últimos 12 anos e o que percebemos hoje é que parte desse investimento está indo por água abaixo por causa de uma decisão lamentável daqueles que administram hoje a Prefeitura de Aracaju. Estamos preocupados não apenas com o nosso futuro, mas, sobretudo, com a continuidade do tratamento dos usuários que frequentam os CAPs há anos. Ninguém nos chamou para dialogar, simplesmente impuseram as mudanças", afirmou. Atualmente a unidade David Capistrano contava com 60 profissionais atuando semanalmente a favor dos usuários do Sistema Único de Saúde.
Conforme informou a SMS, a unidade de fato está fechando as portas, mas que todos os pacientes serão encaminhados para outras unidades, porém ainda não definiu quando e pra onde cada um deve seguir os tratamentos. Direção municipal alega ainda que a medida não foi imposta pelo prefeito João Alves. Segundo nota oficial, a terceirização ocorre a pedidos dos próprios populares que, desde o ano passado têm questionado a qualidade dos serviços oferecidos.
Ao ter conhecimento da resposta administrativa, os próprios aracajuanos antes beneficiados com o serviço destacaram falta de coesão nas explicações da PMA. "Sou usuário aqui do posto e tinha poucas coisas a reclamar. Na realidade, às vezes faltavam algumas coisas e os próprios funcionários compravam para não deixar faltar mais na hora dos nossos atendimentos. Não sei o que será da gente a partir de agora. O que sabemos é que a prefeitura mandou acabar com o CAPs daqui e sabe lá quando vamos voltar a contar com essa assistência", reclamou Fábio Dantas.


