Gabriel Damásio
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Um capitão, um sargento e um soldado da Polícia Militar foram presos ontem de manhã ao se apresentarem no Quartel do Comando Geral (QCG) da corporação, no centro de Aracaju. Eles são acusados de praticar tortura e sequestro contra dois suspeitos de estelionato que teriam dado um golpe no oficial. A informação, apurada pelo JORNAL DO DIA junto a fontes extraoficiais, chegou a ser negada inicialmente, mas foi confirmada ao início da noite pelo chefe de relações-públicas da PM, tenente-coronel Paulo César Paiva. Os militares foram levados ao Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) e transferidos para o Presídio Militar (Presmil), após prestarem depoimento e serem autuados em flagrante por crime de sequestro.
Os nomes dos presos não foram divulgados, sob a alegação de que o processo está no início e que o comando da PM ainda não teve acesso ao inquérito aberto pela Polícia Civil. No entanto, Paiva confirmou que o capitão é lotado no QCG e os praças trabalham na Companhia de Polícia de Trânsito (CPtran). "Estamos adotando a cautela porque a investigação ainda está na fase inicial e os policiais se apresentaram voluntariamente, mas quero destacar que o Comando está agindo de forma isenta e transparente ao apurar este caso e comunicá-lo ao Ministério Público. Vamos adotar todas as medidas, não importa qual a patente em que ele ocupa", ressalta o porta-voz.
Segundo o tenente-coronel, o capitão foi vítima de um golpe praticado por um dos suspeitos, o qual teria lhe causado um prejuízo de R$ 30 mil. O dinheiro teria sido pago pelo militar ao estelionatário em algumas prestações. "Na terça-feira, o oficial descobriu que estava sendo vitima de um golpe. Mas, em vez de fazer o correto, que é deter o suspeito e levá-lo para a delegacia para que se abra um inquérito com a devida apuração, ele perdeu a cabeça, preferiu agir por conta própria e usou arbitrariamente das suas razões ao capturar e agredir os suspeitos", admitiu Paiva. Ainda segundo ele, o sargento e o soldado são amigos do capitão e teriam sido chamados pelo oficial para ajuda-lo a recuperar o dinheiro perdido.
Os dois homens foram capturados pelos três militares no início da noite de terça-feira, sendo um no Conjunto Augusto Franco (zona sul de Aracaju), e outro em São Francisco (Baixo São Francisco), onde um dos suspeitos estaria guardando o dinheiro. Segundo a polícia, eles foram trazidos para a capital e foram espancados por cerca de seis horas, até que eles revelassem onde estava o dinheiro. No entanto, a quantia não foi achada. Os suspeitos foram libertados por volta das 3h30 na Praia do Sarney (zona de expansão) e cada um deles voltou para sua casa, mas, na manhã seguinte, um dos capturados deu queixa em uma delegacia, alegando que foi sequestrado e torturado pelos policiais.
Enquanto isso, o capitão e os dois praças se apresentaram ao Comando da PM no início da manhã, comunicando o que havia acontecido. De acordo com Paiva, o comandante-geral da corporação, coronel Maurício Iunes, determinou que eles ficassem no quartel até que a ocorrência fosse confirmada. "Como o chegou-se a conclusão de que havia um crime comum, o comandante determinou que os policiais fossem enviados ao Cope e prestassem depoimento ao delegado Jonathas Evangelista, que também ouviu o depoimento de uma das vítimas. No final, o delegado lavrou a prisão em flagrante deles por sequestro", informou Paiva.
O porta-voz concluiu dizendo que a detenção do oficial e dos praças foi comunicada ao promotor Jarbas Adelino Santos Júnior, da 6ª Vara Criminal de Aracaju (Auditoria Militar), que esteve no QCG e no Cope para acompanhar o depoimento dos militares detidos. "O promotor inclusive concordou com a postura do comandante em entregá-los à Justiça", disse o tenente-coronel. Procurado pelo JORNAL DO DIA, o promotor preferiu não se manifestar até que a ocorrência fosse confirmada pela PM. O flagrante dos policiais presos deve ser analisado hoje pela 6ª Vara, que deve abrir um processo judicial sobre o caso. Se condenados, eles podem ser expulsos da corporação e cumprir pena de até oito anos de reclusão.


