Agora, a polícia deve responder a outra questão aberta no Caso David: a morte de Leonardo Rodrigues do Nascimento, o "Leozinho", considerado a principal testemunha do episódio. Apontado pela polícia como ex-interno da Unidade Socioeducativa de Internação Provisória (Usip), ele era o condutor da motoneta Shineray que levava David Philip na garupa e foi abordada pelos policiais da Radiopatrulha no Conjunto Marcos Freire. No dia 28 de novembro de 2014, quase oito meses depois da morte de David, "Leozinho" teve seu corpo encontrado em uma estrada de terra no Loteamento Guajará, em Nossa Senhora do Socorro.
Na ocasião, o cadáver da testemunha estava carbonizado e com marcas de tiros na cabeça, além de cortes nos dedos e na língua. Leonardo também tinha 17 anos e teria sido visto pela última vez na véspera do crime, em companhia de amigos na cidade de São Cristóvão. A polícia ainda não tem pistas concretas do que teria acontecido, mas algumas testemunhas levantaram a suspeita de que o rapaz teria sido vítima de uma emboscada, motivada por uma queima de arquivo. A solução do caso é cobrada por entidades como o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH).
Leonardo também sustentava que David Philip estava desarmado quando foi baleado pelo tenente do BPRp. No dia seguinte ao fato, ele confirmou sua versão em uma rápida e tensa entrevista à rádio Ilha FM. "Esses policiais vão quebrar a cara, porque o que eles fez (sic) foi errado. Essa parte do revólver, foi eles que colocaram (sic). Não teve nem isso. Nem eu nem ele tava armado (sic). Nunca tive envolvimento com drogas. Eu não sou fugitivo não. Tudo que eles tão falando ai é mentira (sic)", disparou ele, alegando que não parou a moto ao ser abordado pela polícia por medo de ser morto. "Ia parar pra mim morrer é? (sic) Se ele mandou parar e já foi atirando no menino? Eu ia parar pra morrer também", justificou a testemunha. (Gabriel Damásio)


