Prefeitura suspende feira livre do Conjunto Augusto Franco

O ano de 2015 começou com problemas para feirantes que há mais de 20 anos trabalhavam aos domingos na tradicional feira livre do Conjunto Augusto Franco. Conforme declarado na manhã de ontem pela Prefeitura de Aracaju, baseado no projeto de revitalização das feiras livres e mercados, a administração municipal decidiu inviabilizar o comércio de frutas, hortaliças, carnes e pescados já a partir do próximo domingo, 11. Incomodados com a atitude adotada pelos gestores sem um prévio diálogo com os comerciantes, fornecedores e fregueses lamentam a medida. Preocupados com o futuro econômico das famílias, os feirantes enaltecem perdas financeiras ao longo dos últimos dois anos e exigem a não extinção das feiras aos domingos.

Popular pelo grande fluxo de consumidores nos dias de venda, – até na semana passada promovida nos dias de quarta-feira e domingos – as feiras livres do Augusto Franco eram apontadas como as mais importantes da capital sergipana, atrás apenas dos mercados centrais. Para os moradores do conjunto, a extinção de um dia de comércio representa impasses financeiros para os feirantes, e contratempos para os clientes que, de costume, buscavam comprar produtos alimentícios nessas áreas públicas administradas pela Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb). Para os comerciantes, falta diálogo junto aos vendedores, e sobram medidas ditatoriais que resultam em retrocesso para a comunidade em geral.

Segundo o vendedor de mariscos, Josué Alves dos Santos, o fim das vendas nos dias de domingo em nenhum momento foi debatido pelos administradores da Emsurb e os feirantes credenciados para realizar este tipo de comércio. "Agora as mudanças são feitas dessa forma: mudam as datas e horários de venda e sequer falam com a gente para ver como ficará nossa situação. Infelizmente o ano novo já começou com um presente de grego da prefeitura. Acabar com a feira do final de semana é um absurdo. Quem mais vai sofrer somos nós feirantes", declarou. Ao todo, mais de 40 feirantes trabalham aos finais de semana na região comercial, e mais de 2.500 pessoas buscam adquirir alimentos nos dias de domingos.

Paralelo ao fim do comércio aos domingos, a também vendedora Maria Solange de Souza apontou outros problemas que interferem no progresso dos feirantes. De acordo com a denunciante, a falta de apoio da Prefeitura de Aracaju tem interferido nas vendas e contrariado parte da população. "É inadmissível o que estão fazendo com a gente desde o início do ano passado. Como se não bastasse os problemas causados pela demora na entrega do mercado central aqui do Augusto Franco, agora eles publicaram que nos finais de semana não devemos mais por os pés aqui para trabalhar. Depois de tantos anos eles acabaram com a feira de domingo? Um verdadeiro absurdo. Simplesmente adotam uma mudança e não estão nem aí para os interesses dos trabalhadores", declarou.

Diante da decisão já oficializada pelo prefeito João Alves Filho e os gestores da Emsurb, os vendedores lamentam a falta de participação dos aracajuanos nas mudanças definidas por um grupo de secretários e diretores de órgãos. Preocupada com o futuro comercial da região, a feirante Fátima Pereira dos Santos, revendedora de vegetais, disse ter sido informada do fim da feira, mas garante que não houve nenhum diálogo quanto ao caso. "Desde a última sexta-feira, um dia após a virada de ano, João mandou espalhar a informação que o domingo passado seria o último de feira no conjunto. Infelizmente o prefeito acaba com a fonte de renda de dezenas de pessoas sem sequer buscar uma solução em conjunto, como bem disse minha colega, Solange", afirmou.

Confirmação – De acordo com a Assessoria de Comunicação da Emsurb, a nova medida segue um planejamento estratégico da Prefeitura de Aracaju a fim de qualificar as feiras livres realizadas na capital. Questionada quanto a falta de diálogo com os feirantes, a comunicação não se pronunciou, apenas informou que a partir da próxima quinta-feira, 08, será iniciada a abertura de propostas baseada no aviso de licitação que abordou a concessão de serviço público para organização e manutenção das feiras livres realizadas em espaços públicos. Atualmente, são 34 feiras livres distribuídas em diversas regiões. A partir deste processo a perspectiva do governo João é que outras feiras sejam extintas, ou readequadas.

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