Gabriel Damásio
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A Polícia Civil deu os detalhes da operação que terminou com a morte de três acusados de integrar uma quadrilha que promovia assaltos a bancos, assassinatos e o tráfico de drogas no interior da Bahia, os quais pretendiam formar um núcleo de atuação em Sergipe. Os suspeitos se envolveram em uma troca de tiros durante o cerco realizado anteontem à tarde na Praia do Abaís, em Estância (Sul), por equipes do Complexo de Operações Policiais Especiais (Cope). Também foi confirmada a prisão de Jeferson de Assis Soares, 40 anos, pré-candidato a prefeito de Pedrinhas (Sul) e detido na mesma tarde em Estância.
O político foi apresentado ontem de manhã na sede do Cope, no Capucho (zona oeste de Aracaju), onde está preso. Ele já tinha sido preso por estelionato na Bahia em janeiro de 2011 e respondeu a um processo pelo mesmo crime em Sergipe, alegando na época que seria assessor de um deputado estadual. Segundo o delegado Cristiano Barreto, do 3º Núcleo de Investigações do Cope, Jeferson é apontado nas investigações como responsável pela logística de funcionamento do grupo criminoso, orientando a ação dos outros acusados em Sergipe.
"Ficou constatado que o Jeferson tanto providenciava os meios necessários para o deslocamento dentro do Estado como também a obtenção e elaboração de documentos falsificados para que os membros da organização transitassem livremente em Sergipe. Ele foi preso pelos crimes de falsidade ideológica, associação criminosa e associação ao tráfico", disse Barreto. Entre os documentos, estão carteiras de identidade confeccionadas com papéis do Instituto de Identificação de Sergipe. O delegado garantiu que o Cope vai apurar como Jeferson conseguiu esses papéis e se ele teve ou não a participação de outras pessoas.
Duas destas falsas identidades foram encontradas com dois dos três mortos no Abaís: Wedson Fiúza de Jesus Neves, 22, que usava o nome falso de João Lucas dos Santos, e Amilton Neves de Jesus, 32, cujo nome falso era Ian. O terceiro suspeito foi identificado como Caíque Barbosa dos Santos, 21. Além dos documentos, a polícia apreendeu computadores, um caderno com anotações relativas ao tráfico, dois revólveres calibre 38, uma pistola ponto 40 e várias munições. A polícia informou que os três, ao receberem voz de prisão, atiraram contra os policiais, foram baleados e morreram a caminho do Hospital Regional de Estância.
Cristiano garantiu que os suspeitos baianos não cometeram nenhum crime em Sergipe, mas escolheram montar uma base na Praia do Abaís, em uma casa que, conforme o delegado, foi conseguida por Jeferson com a ajuda de Amilton. Os policiais acreditam que o local era um ponto estratégico para a distribuição de drogas e a realização de assaltos na Bahia, estado onde mais agiram. "Detectamos que essa facção foi responsável por um assalto a uma agência bancária da cidade do Conde [região da Linha Verde], por inúmeros homicídios e tráfico de entorpecentes e que vários de seus integrantes possuíam mandado de prisão em aberto. Havia, ainda, informações seguras de que eles estavam se preparando para matar outros desafetos nos próximos dias", explicou.
Uma das vítimas atribuídas ao trio foi um agente da Polícia Civil baiana, assassinado a tiros no final do mês passado, em Salvador. Outras vítimas foram integrantes de quadrilhas que disputavam a hegemonia do tráfico de drogas no interior baiano. No entanto, o assalto em Conde teve maior repercussão, devido a ação violenta dos bandidos: na ocasião, eles invadiram o único banco da cidade, dispararam dezenas de tiros e amarraram cinco reféns nos capôs das caminhonetes usadas na fuga do grupo, em direção à Sergipe. "Até o momento, não podemos falar o número exato de crimes que eles cometeram porque as investigações continuam e outras pessoas ainda devem ser presas", conclui Cristiano. Entre elas, estão dois homens que conseguiram escapar do cerco policial. A polícia da Bahia participa das investigações.


