Polícia elucida crimes na véspera de mais um feriado prolongado

Homem é acusado de matar a ex-companheira em Estância

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

A Delegacia Regional de Estância (Sul) anunciou ontem a prisão do principal acusado pelo assassinato de Sônia Vieira da Rocha, 37 anos, que foi encontrada morta na sexta-feira passada, em um sítio localizado no povoado Biriba, área rural da cidade. Segundo a polícia, o crime foi cometido pelo ex-companheiro da vítima, Edmilson Félix dos Santos, preso nesta terça-feira por agentes da unidade, em cumprimento a um mandado de prisão preventiva. As investigações preliminares apontaram que o acusado também pode ter tentado matar outras mulheres que já se relacionaram com ele – pelo menos dois casos suspeitos são investigados.

Sônia estava desaparecida desde o último dia 15, quando saiu de casa com Edmilson e não mais voltou. O corpo foi encontrado três dias depois, em estado de decomposição e com marcas de tiros e de pauladas na cabeça. Segundo o delegado Allan Faustino, responsável pelo caso, a morte de Sônia teve motivação passional. "Ele tinha um relacionamento coma vítima há cerca de dois anos, só que ela já não queria mais continuar esse relacionamento. Inclusive, no dia do crime, quando ele esteve na casa dela, ele teria conversado e insistido para que ela saísse com ele, dizendo que iria apenas ingerir bebidas alcóolicas com ela. A vítima aceitou sair, mesmo com ele ficando ciente se que não haveria volta no relacionamento", disse Faustino.

Ainda de acordo com o relato, o ex-casal saiu de moto para beber em uma lanchonete e, na volta, ao passar pelo povoado, Edmilson parou a moto diante do sítio e matou Sônia com um tiro na cabeça. "Ele disse no interrogatório que fez o disparo contra ela e, ainda usando a própria coronha da arma e um pedaço de madeira, espancou-a, dando golpes violentos contra a cabeça da vítima. Uma arma de fogo e um pedaço de madeira foram encontrados no local do crime e o laudo cadavérico constatou que a mulher sofreu traumatismo crânio-encefálico", acrescentou o delegado. Em seu depoimento, o acusado confessou o crime e alegou que ouvia "vozes demoníacas" que supostamente o incitavam a fazer isso, não apenas com Sônia, mas também com outras ex-namoradas dele.

Esta alegação pode levar a polícia sergipana a outros crimes que podem ter sido cometidos pelo mesmo acusado.  "Inclusive, já identificamos que ele praticou uma tentativa de homicídio contra outra mulher, na cidade de Itaporanga D’Ajuda; apuramos que ele viajou há alguns dias até a cidade de Olindina, na Bahia, onde tentou matar uma mulher; temos a confirmação de que ele assassinou numa mulher na cidade de Santa Luzia do Itanhy…", citou Faustino, apontando que vai pedir um levantamento dos casos de mulheres que tenham sido mortas ou agredidas em cidades onde Edmilson morou. Entre elas, está Belo Horizonte (MG), onde o acusado disse ter vivido alguns meses.

Um exame psiquiátrico forense deve ser pedido à Justiça para verificar se o suspeito possui problemas mentais. Para o delegado, o comportamento de Edmilson indica traços de psicopatia. "Pela conversa com ele, você vê que é uma pessoa fria, que não demonstra arrependimento pelo que fez, apesar de ele dizer no interrogatório que se arrepende. A gente vê um perfil psicopático desse indivíduo, que é uma pessoa com tendência para a prática de crimes. Inclusive, os próprios familiares dele já afirmaram que temiam pela diva e acreditavam que ele poderia dar cabo da vida dele também", avaliou Allan.

As vítimas que sobreviveram às tentativas de homicídio em Itaporanga e Olindina já foram ouvidas pela Delegacia de Estância, que também teve acesso ao processo judicial aberto contra o acusado, relacionado ao primeiro crime. O inquérito sobre a morte de Sônia Vieira deve ser concluído nos próximos dias e entregue à Justiça.

Preso acusado de violentar as cinco enteadas em Santa Luzia

Um homem de 51 anos foi preso nesta terça-feira, acusado de violentar sexualmente as suas cinco enteadas, por cerca de dois anos, em Santa Luzia do Itanhy (Sul). O crime foi investigado por agentes da Delegacia de Indiaroba e da Coordenadoria de Polícia Civil do Interior (Copci), a partir de uma denúncia feita pelo Conselho Tutelar local. João de Matos Santos, conhecido como ‘João Ferro-de-Engomar’, teve a sua prisão preventiva decretada pela Justiça há cerca de um ano e foi encontrado em um assentamento de agricultores sem-terra, na zona rural de Indiaroba.

De acordo com o delegado Wanderson Andrade, o caso chocou os policiais pelas circunstâncias que o acusado praticou o crime. "Foram cinco menores, das quais três adolescentes entre 13 e 15 anos, e duas crianças de seis e sete anos, respectivamente. Todas são enteadas, deveriam estar afetivamente ligadas à figura do infrator, mas ele se aproveitou dessa relação familiar e praticou o crime contra todas elas, nesse contexto em que elas não tinham como oferecer resistência. Todas, quando eram abusadas, fugiam para a casa de outra irmã, o que deixa claro o clima de terror vivido entre elas", disse o delegado.

Foi a denúncia desta irmã, que mora em outra residência, que levou o Conselho Tutelar a acionar a polícia. A investigação constatou que os estupros aconteciam principalmente à noite, enquanto as crianças dormiam, e que Matos aproveitava-se do momento de maior vulnerabilidade das menores para praticar o ato. "Com as adolescentes, ele praticava efetivamente a conjunção carnal. Já com as crianças, ele praticava atos libidinosos, ou seja, introduzia o dedo nas vaginas delas. Em algumas vítimas, ele praticou os abusos por um mês initerruptamente, em outra, ele praticou uma única vez. Com pelo menos duas, ele usou de violência real para praticar o abuso", confirmou Wanderson.

Ainda de acordo com o delegado, ‘Ferro-de-Engomar’ estava escondido em um assentamento de difícil acesso e, no dia em que foi preso, estava com uma audiência marcada para o Fórum de Santa Luzia, onde respondia a um processo judicial aberto por conta de um destes abusos. O acusado não tinha sido encontrado pelo oficial de justiça. "A partir daí, intensificamos as diligências para cumprimento do mandado de prisão, e com ajuda de populares, conseguimos localizar o suspeito, efetuando a sua prisão", esclarece o delegado, acrescentando ainda que a mulher do acusado, que é mãe das vítimas, pode ser indiciada e presa por suspeitas de cumplicidade com o companheiro nos crimes investigados.

João foi apresentado ontem pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) e, aos jornalistas, negou todas as acusações. "Essa acusação é terrível e vergonhosa para uma pessoa nesta idade de 51 anos. Nunca fui preso e nem pratiquei isso. Eu quero que seja feita Justiça. os exames estão aí pra provar. Se eu toquei, está aí, e se não toquei, está aí, porque eu digo que não fiz", rebateu ele, sugerindo que as vítimas teriam sido instigadas pelas tias a acusarem o padrasto. "A menina disse que foi a tia mais a irmã que mandou, dizendo que daria um celular pra elas se acontecesse isso. Foi por inveja da convivência boa que eu tinha com elas", alegou. (Gabriel Damásio)

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