Milton Alves Júnior
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Na madrugada de ontem internos do Complexo Penitenciário Antônio Jacinto Filho (Compajaf), locados na Ala A e sela 111 tentaram escapar da unidade após serrar algumas grades e abrir um buraco de aproximadamente 40 centímetros na parede. A ação foi flagrada por agentes penitenciários e das polícias Civil e Militar na qual impediram que aproximadamente 10 detentos obtivessem êxito na missão. Conforme dados do Sindicato dos Agentes de Disciplina Privada do Compajaf, por volta das 2h os agentes realizavam as rondas quando se depararam com um grupo que já estava na área externa dos pavilhões. Durante a abordagem, os fiscais perceberam que um dos detentos havia ficado entalado entre as ferragens enquanto tentava deixar a sela.
Essa foi a segunda ocorrência registrada em menos de dois meses. Considerado um dos complexos penitenciários mais seguros do Estado de Sergipe, o Compajaf, que fica instalado no bairro Santa Maria, em Aracaju, havia noticiado a fuga de dois homens na primeira quinzena de março. Já no mês de junho do ano passado um presidiário de 26 anos foi encontrado morto dentro da própria sela com sinais de enforcamento, conforme relatório do Instituto Médico Legal (IML). De acordo com o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários, Antônio Luiz Oliveira Santos, a atuação dos servidores foi exemplar. Para ele, a experiência dos profissionais foi essencial para que a situação fosse controlada enquanto equipes da Polícia Militar se deslocavam até o local.
"O trabalho rápido desses profissionais foi mais que positivo na tentativa de evitar que os homens conseguissem fugir do local com tranquilidade. Nessa ação percebemos o quanto é preciso valorizar os agentes que se arriscam nessa atividade que mexe com o emocional de qualquer um", disse. Em entrevista ao Jornal do Dia, o sindicalista enalteceu a não utilização de armas de fogo, ou armamento similar. "A coragem, bravura e capacidade de atuar em situações dessa periculosidade devem sempre ser parabenizadas. Se houvesse fuga iriam criticar, como não houve, é preciso reconhecer o trabalho de todos que inviabilizaram sem violência essa fuga em massa", declarou.
Já nas primeiras horas de ontem a direção da Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania (Sejuc) informou que a situação foi integralmente controlada após a chegada dos agentes civis e militares. Sem noticiar o nome do interno que ficou preso no janelão enquanto tentava se unir aos demais detentos que já haviam passado pelo mesmo buraco, a direção do presídio disse que o cidadão foi removido do espaço e recebeu os primeiros socorros no mesmo local, sem a necessidade de ser conduzido a uma unidade de saúde.
Retrospectiva – No último mês de fevereiro mais de 100 internos do Complexo Penitenciário Manuel Carvalho Neto, em São Cristóvão, tentaram fugir, mas também foram impedidos graças ao trabalho versátil dos 14 agentes penitenciários que presenciaram a ação em conjunto. Na oportunidade os detentos pretendiam deixar os pavilhões com a utilização de uma corda formada com lençóis. Após vistoria minuciosa foram encontrados entorpecentes, armas brancas e um caderno com anotações relatando o nome de possíveis devedores. Os dois homens que conseguiram fugir do Compajaf foram capturados horas depois da fuga.


