Polícia procura carro de professor morto em pousada

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

A descoberta da identidade do corpo encontrado no fim da tarde de anteontem, dentro de um dos quartos da pousada Mega Opção, na Avenida São Paulo, bairro Siqueira Campos (zona oeste), levantou ainda mais dúvidas sobre o que realmente aconteceu com a vítima naquela tarde – e cujas respostas já começaram a ser buscadas pela Polícia Civil. Trata-se do professor Adalgício Barbosa Mendonça, 41 anos, que ensinava Biologia e trabalhava na Escola de Ensino Fundamental Roberto Simonsen, no bairro 18 do Forte (zona norte), pertencente ao Serviço Social da Indústria (SESI). O caso é investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Há também buscas pelo carro do professor, um Ford Focus de cor prata e placa NVK- 1738/SE, que não foi achado até o fechamento desta edição.

Segundo a delegada Rosana Freitas, responsável pelo caso, o veículo pertence a Adalgício e foi levado por uma pessoa que o acompanhava na ida à pousada. A placa foi captada por imagens do circuito interno de TV do estabelecimento, as quais mostram os momentos em que a pessoa acompanhante chega com o professor e sai cerca de duas horas depois, sozinha e acelerando o carro, a ponto de derrubar o portão da pousada. No entanto, as gravações não identificam claramente se esse acompanhante era um homem ou uma mulher.
"A pessoa que estava com ele levou consigo alguns pertences, como carteira, documentos e celular. Essa pessoa ainda não foi identificada. Iremos divulgar as imagens do veículo na imprensa, para que as pessoas que tenham visto esse veículo e principalmente quem estava o conduzindo entrem em contato com o Disque-Denúncia e possamos contar com o apoio da população", disse ela.

O corpo de Mendonça foi achado naquele instante por uma funcionária da limpeza da pousada, que chamou o Samu e a Polícia Militar. Inicialmente, chegou-se a dizer que o professor teria sofrido asfixia, mas a causa da morte permanece indeterminada até o momento, pois nenhuma indicação foi comprovada pelos peritos do Instituto Médico-Legal (IML) e da Força Nacional de Segurança. "Infelizmente, nem a perícia técnica que compareceu ao local do crime e nem o perito médico legista puderam concluir ainda a causa da morte, porque o IML nos informou que não foram encontradas lesões macroscópicas no corpo, nem internas e nem externas. A olho nu, não foi identificada qualquer lesão no corpo, mesmo durante a autópsia", informou Rosana.

A delegada explicou que alguns órgãos internos do cadáver foram retirados e entregues ao Instituto de Análise e Pesquisas Forenses (IAPF), onde passarão por um exame anatômico-patológico. "Este exame vai ser mais preciso em informar qual foi a causa da morte", destacou, sem descartar as hipóteses de que Adalgício tenha sido envenenado, asfixiado ou sofrido um ataque cardíaco. A previsão é de que o exame seja concluído em 15 dias.

Ainda de acordo com Rosana, alguns familiares prestaram depoimento ao DHPP e informaram que, no dia de sua morte, o professor saiu de casa por volta das 12h, dizendo que iria à escola e voltaria no final da tarde, mas sem dizer se estaria acompanhado ou não. A expectativa é de funcionários da pousada e outras pessoas do convívio da vítima prestem depoimentos ao longo da semana.

Comoção – A confirmação da morte do professor "Doncinha", como era carinhosamente chamado pelos alunos, deu início a uma grande comoção, que se manifestou pelas redes sociais da internet, por meio de recados em sua página pessoal e vídeos feitos em sua homenagem. O lamento foi maior no velório, ocorrido por todo o dia de ontem no velatório Osaf, na Rua Itaporanga, Centro, onde foram usadas camisas com fotos do professor e frases em sua homenagem. A família dele pediu privacidade durante os funerais e não falou com os jornalistas. O corpo foi enterrado ao final da tarde de ontem no Cemitério Santa Isabel, também no Centro.  

Os estudantes e colegas de profissão enalteceram a figura de um professor otimista, bem-humorado, atencioso e muito dedicado às suas turmas, que aproveitava as aulas para envolver os alunos em atividades voluntárias e campanhas de solidariedade. Mendonça frequentava a igreja da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, no bairro Suissa (zona centro) e era voluntário do Grupo de Apoio à Criança com Câncer (Gacc). "Hoje, o Gacc Sergipe lamenta a perda não só de um voluntário, mas de um amigo de coração enorme e solidário", definiu a entidade, em um comunicado oficial.

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