Polícia registra 11 crimes no Estado em 48 horas

Depois de uma trégua de 75 horas sem registrar qualquer assassinato, a polícia de Sergipe viu o balanço das ocorrências praticamente explodir em menos de 42 horas: 11 homicídios aconteceram em todo o estado no período entre a tarde de sábado e a madrugada de ontem. O dado representou praticamente 80% das 16 mortes violentas registradas pelo Instituto Médico Legal (IML) durante o período. Oito dos homicídios registrados foram causados por armas de fogo, mas dois casos registrados na capital foram por espancamento e chamaram a atenção pela agressividade dos assassinos.

Uma das vítimas mortalmente agredidas foi o cabeleireiro José Gilvan Nascimento Mecenas, 41 anos, que foi encontrado morto na Praça Ulisses Guimarães, bairro Santos Dumont (zona norte). Segundo informações da família, ele tinha saído de sua casa, no Lamarão (zona norte) ao início da noite de sábado, dizendo que iria comprar leite para uma das filhas. No entanto, ele não retornou para a residência e, só foi encontrado horas depois, com o rosto desfigurado e várias marcas de pauladas na cabeça. Acredita-se que ele tenha sido atacado em algum local próximo à praça.

Junto ao cadáver, a polícia encontrou o celular de Gilvan, mas a bicicleta que ele usava não foi achada, podendo ter sido levada pelos assassinos. O corpo do cabeleireiro foi enterrado ontem de manhã no cemitério São João Batista, bairro Castelo Branco (zona oeste). Sem saber explicar o que pode ter motivado o crime, os familiares se desesperaram durante o funeral e alguns deles desmaiaram, precisando ser socorridos. Gilvan era casado, tinha 10 filhos e trabalhava há cerca de uma semana em um grande salão de beleza da Avenida Adélia Franco, no Grageru (zona sul).

Um crime semelhante foi descoberto às 6h30 de ontem em uma casa abandonada na Travessa Cuba, bairro Novo Paraíso (zona oeste), tendo como vítima um homem identificado como João Alves de Lima Filho, 44. O corpo foi achado por moradores que estranharam o mau cheiro que vinha da casa e arrombaram uma das janelas, achando o corpo. Ele também estava com o rosto desfigurado e marcas de agressão. Um pedaço de pau supostamente usado no crime foi achado na casa, sujo de sangue e quebrado em três pedaços.
Algumas informações colhidas pela polícia apontaram que João morava sozinho e sofria de problemas mentais, mas não se sabe qual foi a verdadeira causa do crime. Policiais e moradores afirmam que a casa abandonada serve de abrigo para andarilhos e usuários de drogas, tendo já sido palco para um outro assassinato recente.

Interior – Outros assassinatos aconteceram no interior do estado, com características de execução. Em Neópolis (Baixo São Francisco), no final da noite de sábado, dois homens morreram e um terceiro saiu ferido após um ataque a tiros ocorrido em frente a uma mercearia no conjunto Cohab III, periferia da cidade. Por volta das 23h, o trio passava em frente a uma mercearia quando ocupantes de um carro desconhecido passaram por eles e abriram fogo várias vezes. Cristiano Costa dos Santos, 29, e Carlos Alexandre dos Santos, 25, morreram na hora. O terceiro homem, não identificado, foi socorrido em estado grave e transferido para o Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), em Aracaju.

Outro duplo homicídio aconteceu ao final da noite de domingo em Laranjeiras (Vale do Cotinguiba), onde dois adolescentes foram mortos por um homem que teria reagido a uma suposta tentativa de assalto. Os corpos não foram identificados até a tarde de ontem. Em outra cidade, Estância (Sul), Alailson Cunha da Silva Lima, 23, foi executado sábado à tarde por um motoqueiro que disparou cinco tiros.  E no bairro Santos Dumont (zona norte da capital), Elivelton Borges Trindade, 22, foi morto a tiros na porta de uma casa da Rua São Pedro, em circunstâncias igualmente desconhecidas.

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