Gabriel Damásio
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A Secretaria da Segurança Pública (SSP) revelou os detalhes da ‘Operação Gavíria’, deflagrada nesta terça-feira e que resultou na prisão de 13 integrantes de uma quadrilha atuante no tráfico de drogas e de armas. Ontem, na sede do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), foi apresentado o paulista Adelmo de Andrade Santos, o ‘Barão’, 39 anos, apontado como chefe da quadrilha e um dos principais traficantes do país. Ele foi trazido a Aracaju durante a madrugada e desembarcou no Aeroporto Santa Maria sob um forte esquema de segurança, após ser preso na cidade de Auriflama (SP). Algemado, ‘Barão’ se manteve frio por todo o tempo e não respondeu a nenhuma pergunta dos jornalistas.
Foram divulgados ainda os nomes dos outros 12 presos na operação. Destes, cinco já estavam detidos em presídios de Sergipe: Claudiovan Santos de Jesus (‘Del’), Genildo Alexandre Ferreira (‘Magrão’), Irla Simone Santos, Maurício da Silva e Ricardo dos Santos de Albuquerque. Outras três pessoas foram presas anteontem em Aracaju, Barra dos Coqueiros e Itaporanga: André Cruz Timóteo, Lezeielin Alves Barreto (‘Leize’) e Daiana Penalva de Farias. As buscas se estenderam ainda pelas cidades baianas de Conde, Esplanada e Itamira, onde foram presos Armando Ferreira Rocha, Gilson Ferreira de Souza e Paulo Airton Teles dos Santos. E em Ponta Porã (MS), os policiais capturaram Emerson Quintana de Matos, 30, apontado como principal fornecedor das drogas e armas comercializadas pela quadrilha.
O ponto de partida das investigações foi em 31 de julho de 2015, quando o Batalhão de Radiopatrulha (BPRp) apreendeu 52 quilos de maconha prensada em um estacionamento no bairro José Conrado de Araújo (zona oeste da capital). "A partir daí, se sucederam mais duas apreensões específicas de drogas, com cargas de mais de 30 quilos de maconha. Fomos então ligando os nomes e os processos de rota do tráfico, pra quem recebia e pra quem era entregue, e se montou um quebra-cabeça, aonde observamos que o patrão comum de todas elas era o Adelmo ‘Barão’. Essa droga vinha do Mato Grosso do Sul e de São Paulo para a Bahia. E da Bahia, ela era distribuída para o próprio estado, para Sergipe e para o Ceará", explica o major Vitor Anderson de Moraes, comandante do BPRp.
Ele explicou ainda que o processo era o mesmo para a venda de armas, igualmente adquiridas no Mato Grosso do Sul. "Soubemos que eram revólveres, pistolas, metralhadoras e fuzis. E não havia grupos específicos, eles vendiam para quem quisesse pagar. Poderia ser outros traficantes, ‘estouradores’ de caixas eletrônicos, ladrões de banco ou mesmo homicidas", acrescentou o major, confirmando também que ‘Barão’ comandava todo o negócio a partir de telefonemas dados para seus contatos e adquiria as armas e drogas diretamente na fronteira com a Bolívia e o Paraguai.
Dinheiro – O delegado Osvaldo Rezende, do Cope, destacou que ‘Barão’ tem um padrão de vida superior em comparação com os demais integrantes do bando. "Ele investia em imóveis, pousadas, transporte escolar e usava tudo isso de fachada para comercializar arma e drogas sem levantar suspeitas. Os investimentos dele eram na Bahia e em outros Estados. Tudo está sendo catalogado para pedirmos expropriação na Justiça", disse, confirmando também que o acusado, ao ser preso, tentou corromper os policiais sergipanos que o prenderam em São Paulo, oferecendo R$ 300 mil em dinheiro para ser libertado. Com a recusa dos policiais, ele acabou indiciado por mais um crime.
Todos os acusados ficarão detidos em presídios de segurança máxima e serão processados por tráfico interestadual de drogas e tráfico de armas, crimes pelos quais Adelmo ‘Barão’ já teve três mandados de prisão decretados em Sergipe e São Paulo. O diretor do Cope, delegado Jonathas Evangelista, informou que outras pessoas podem ser presas nas próximas horas já que equipes da polícia sergipana ainda estão fora do Estado, tentando cumprir mais mandados de prisão. "Queremos desativar totalmente essa organização criminosa, inclusive no aspecto financeiro", destacou.


