Policiais rodoviários são afastados por morte e tortura na câmara de gás

MANIFESTAÇÃO DE POPULARES, ONTEM À TARDE, EM FRENTE À SEDE DA POLÍCIA FEDERAL EM ARACAJU COBRA PRESSA NO INQUÉRITO (Anna Fontes/TV Sergipe)

A direção nacional da Polícia Rodoviária Federal (PRF) afastou os cinco agentes envolvidos na abordagem que terminou com a morte do motociclista Genivaldo de Jesus Santos, 38 anos, que foi prendido na carroceria de uma viatura da corporação que estava com uma bomba de gás acionada. O morador da cidade, que também era portador de esquizofrenia e fazia tratamento, morreu a caminho do hospital da cidade. A ordem para afastar os agentes do serviço de rua foi dada na noite da quinta-feira pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres,após a fortíssima e negativa repercussão nacional e internacional do caso. “Nosso objetivo é esclarecer o episódio com a brevidade que o caso requer”, escreveu ele, em suas redes sociais.

Em nota, a corporação afirmou que instaurou um processo disciplinar “para elucidar os fatos” e os agentes responderão a esse processo fora das atividades de policiamento. “A Polícia Rodoviária Federal informa que está comprometida com a apuração inequívoca das circunstâncias relativas à ocorrência no estado de Sergipe, colaborando com as autoridades responsáveis pela investigação. A PRF instaurou processo disciplinar para elucidar os fatos e os agentes envolvidos foram afastados das atividades de policiamento”, afirmou a PRF.
Em paralelo, os agentes também responderão a um inquérito policial aberto pela Polícia Federal, que diz ter já iniciado as diligências para esclarecer “o mais breve possível” o ocorrido, conforme afirmou em nota.A expectativa é de que a PF requisite os laudos e perícias já colhidas por equipes da Polícia Civil e da Coordenadoria Geral de Perícia (Cogerp). De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), a Delegacia de Umbaúba ouviu depoimentos de parentes da vítima, prestados por familiares e testemunhas, além de ser feito um relatório do local da ocorrência, com informações importantes para a investigação.

Por sua parte, o Instituto Médico Legal (IML) fez o exame de necropsia e recolheu amostras de material biológico, já mandadas para o Instituto de Análises e Pesquisas Forenses (IAPF), da SSP, para elucidar a causa imediata da morte, informações cruciais para o inquérito que está em andamento. Os laudos preliminares apontam que a morte de Genivaldo foi causada por insuficiência aguda secundária a asfixia, cuja causa ainda deve ser identificada por exames complementares. Após a conclusão dos trabalhos, os laudos serão remetidos à delegacia da Polícia Federal.

Quem são eles – Oficialmente, a PRF se negou a divulgar os nomes dos policiais envolvidos na ocorrência, alegando regras da Lei de Abuso de Autoridade. No entanto, estes nomes foram revelados na noite da quinta-feira em uma reportagem do site The Intercept Brasil – e confirmados no dia seguinte pela rádio Bandnews FM. Segundo as matérias, são os agentes Clenilson José dos Santos, Paulo Rodolpho Lima Nascimento, Adeilton dos Santos Nunes, William de Barros Noia e Kleber Nascimento Freitas, todos lotados na equipede motopoliciamento tático do Comando de Operações Especiais da PRF em Sergipe.

As reportagens citam que os cinco PRFsassinaram um boletim de ocorrência que registra o caso e admitem que, durante a abordagem de Genivaldo, usaram “espargidor de pimenta e gás lacrimogêneo”, mas alegaram que eles eram “tecnologias de menor potencial ofensivo” e que o emprego deles “foi necessário”, “em função da “agitação do abordado”. Vídeos gravados por testemunhas oculares mostram que o motociclista ficou muito nervoso com a agressividade dos policiais e tentou se desvencilhar deles, o que levou os policiais a imobilizá-lo, colocá-lo dentro da viatura e sufocá-lo com o gás atendido dentro do compartimento.

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