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Tribuna

Gilvan Manoel

A forma como os irmãos Amorim utilizam as emissoras de rádio do grupo mostra que ele montou o milionário esquema não apenas para ganhar dinheiro, mas também para influir e se favorecer politicamente durante os períodos eleitorais. Os principais programas de todas as emissoras Ilha são voltadas principalmente para o senador Eduardo (PSC), que iniciou a sua campanha para o governo do Estado em 2014, antes mesmo de ser empossado senador em 2011.

Na sexta-feira, foi o Edvan, considerado o cérebro e caixa do grupo, quem escancarou e fez campanha aberta para os seus candidatos em Itabaiana, através de uma entrevista ao programa de Gilmar Carvalho. Atacou o governador Marcelo Déda (PT), o vice-governador Jackson Barreto (PMDB), o prefeito Luciano Bispo (PMDB), que disputa a reeleição, e todos os que ameaçam o projeto do grupo em governar Sergipe a partir de 2014. Não teve como esconder nem deixar de considerar que as eleições municipais deste ano estão interligadas às de 2014, quando o seu irmão pode disputar o governo.

Na emissora da capital, os programas da Ilha são mais comportados e evitam a campanha eleitoral direta como ocorre no interior, em função de uma maior fiscalização da sociedade e dos órgãos responsáveis pelo controle das eleições. Mas no interior fazem uma verdadeira esculhambação, inclusive nas rádios comunitárias que deveriam ficar de fora das campanhas político-partidárias.

Os Amorim demonstram que ainda não digeriram o rompimento do governador com o grupo, em fevereiro deste ano, em função da antecipação em 12 meses da eleição da mesa diretora da Assembleia Legislativa. Logo após o rompimento, Edvan Amorim teria dito a interlocutores que só não poderia perder o controle da Assembleia, gancho para as acusações de favorecimento feitas por Jackson Barreto.

O vice-governador disse com todas as letras que a presidente da Assembleia Legislativa, deputada Angélica Guimarães (PSC), estava repassando dinheiro público para a rede Ilha, para que os Amorim pudessem financiar as campanhas dos aliados no interior do Estado. O contrato da Assembleia com a Ilha chega a R$ 1,7 milhão para transmitir as sessões da Assembleia, o que não ocorre. A Ilha não envia sequer um repórter para acompanhar os trabalhos legislativos. É a própria assessoria de imprensa da Assembleia quem encaminha diariamente uma fita com as gravações dos discursos para a Ilha, não se sabe nem pra quê. Não há um horário previsto para exibição do programa e ninguém sabe se chegam mesmo a ser colocados no ar.
Esse contrato da Assembleia Legislativa com os irmãos Amorim é apenas um dos inúmeros que existem sem qualquer transparência ou prestação de contas. O legislativo sergipano é o poder mais fechado que existe, não há nenhum mecanismo para que o cidadão possa acompanhar as suas despesas, quadro de pessoal, contratos e favorecimentos.

O próprio Edvan admitiu na entrevista na sexta-feira que o contrato da Ilha com a Assembleia é apenas um dos inúmeros que a emissora mantém com órgãos públicos e disse claramente que recebe "muito mais dinheiro" do poder Executivo do que do Legislativo.

Os Amorim usam a concessão pública das emissoras de rádio para fazer política partidária e atacar seus adversários, além de abiscoitarem uma boa grana todos os meses do próprio poder público.
Se no final da ditadura existia em Sergipe a chamada Rede Cabaú de Notícias, cunhada pelo talentoso jornalista Fernando Sávio, hoje a rede Ilha de rádios se transformou em algo equivalente, voltada exclusivamente para os interesses políticos e econômicos dos seus próprios donos.

Ódio
Edvan e Eduardo Amorim não escondem o ódio que alimentam contra o governador Marcelo Déda tanto em entrevistas quanto em conversas com aliados. Mostram que não estavam preparados para o rompimento, causado pela tentativa de tutelar o governo a partir da Assembleia Legislativa.

Desespero
Na entrevista de sexta-feira, Edvan disse que "Déda quer derrotar o sonho de Itabaiana em ter um dos seus filhos no Governo do Estado", fazendo campanha explícita a favor do irmão. Edvan atribui a aliança do governador com o prefeito Luciano Bispo a uma tentativa de limitar as chances de o seu irmão ser eleito governador. Ele atacou também o vice-prefeito Jackson Barreto, lembrando os processos que enfrentou quando foi prefeito de Aracaju pela primeira vez.

Sem caráter
Déda respondeu aos Amorim imediatamente: "Ele (Edvan) nunca disputou um mandato e nunca fez da política a sua vida, sempre foi tesoureiro de campanhas, empresário complicado e com muitos problemas". E completou: "Edvan não tem caráter suficiente nem integridade para tentar atingir uma imagem política construída de baixo para cima, sem precisar de talão de cheques e nem dinheiro. Edvan se comporta em Sergipe como se fosse o Poderoso Chefão" (referência ao filme dirigido por Francis Ford Coppola, em que Marlon Brando é o chefe mafioso Don Vito).

Capítulo
O governador ressaltou que na hora que considerar necessário, "Sergipe vai saber, capítulo por capítulo", o significado político dos irmãos Amorim. "Esse grupo político não tem projeto, não tem ideia para Sergipe, a não ser tomar a máquina administrativa do Estado para atender aos seus próprios interesses".

Desandou
Desde a antecipação da eleição da mesa diretora da AL, em fevereiro, os membros do Poder Legislativo não conseguem se entender. Nem mesmo os deputados que fazem parte do chamado grupo Amorim. Muitos não escondem o descontentamento com o rompimento com o governo e parecem cobrar uma fatura cara.

Na oposição
Na última quinta-feira, os principais líderes da oposição na AL cederam seus tempos para a continuidade do discurso da deputada petista Ana Lúcia, que cobrava a concessão do reajuste de 22,22% para todos os professores e não apenas para o nível médio, como ocorreu. Professora, nessa legislatura Ana se tornou deputada de um discurso único, como se o governo do estado só tivesse obrigações com o magistério.

Canindé
Na noite de quinta-feira foi a festa de lançamento da candidatura de Ednaldo da Farmácia a prefeito de Canindé do São Francisco. O ato se transformou num comício antecipado da campanha de Eduardo Amorim para o governo do Estado. Até porque o candidato a prefeito disse que ainda não sabia o que faria depois de eleito. "Minha estratégia só será  revelada a partir de primeiro de janeiro, quando assumo a prefeitura. Sou igual a treinador de futebol, que só mostra a estratégia quando começa o jogo". E se calou, abrindo espaço para as homenagens ao senador.

Nervoso

O candidato a vice-prefeito na chapa de João Alves Filho (DEM), José Carlos Machado (PSDB), não esconde a sua irritação sempre que lembram da ação judicial movida por ele para devolver toda a Zona de Expansão de Aracaju para o município de São Cristóvão, apenas para não pagar IPTU dos inúmeros lotes de terras que possui na região. Esta semana a vítima dos seus ataques foi o candidato do bloco PSB/PT, deputado Valadares Filho, por ter dito que não permitiria ação de Machado contra o município de Aracaju.

Preconceituoso
Machado disse que o candidato governista precisa ter a coragem de dizer que é preguiçoso e incompetente. "Essa questão (Zona de Expansão) ainda não está resolvida porque eles não têm o vício do trabalho. Este rapazinho, chamado Valadares Filho, nunca trabalhou. Nunca fez nada. Se elegeu sem dificuldade nenhuma, e se elege pela segunda vez, e quer ser, agora, prefeito de Aracaju", assegurou.

Constituinte
José Carlos Machado foi deputado estadual entre 1987/1990, quando a Assembleia Legislativa foi transformada em assembleia constituinte e aprovou a Constituição de 1988, em vigor, transferindo a Zona de Expansão de São Cristóvão para Aracaju.

Inserção
Ao impetrar ação judicial que culminou com a suspensão da divulgação de resultado da pesquisa Ibope pela TV Sergipe, o candidato do PPS a prefeito de Aracaju, Almeida Lima, tenta voltar a participar na linha de frente da campanha. Em todas as pesquisas divulgadas até agora, Almeida amarga um incomodo quarto lugar, atrás da candidata da Frente de Esquerda, Vera Lúcia (PSTU), o que ele não admite.

Fichas
Almeida vem fazendo uma modesta campanha de rua, ao contrário do que ocorreu em 2008, quando era apoiado pelo PMDB nacional e dispunha de possantes carros de som para o fortalecimento de seu nome. Hoje aposta todas as fichas no horário eleitoral gratuito no rádio e na TV, que começa na terça-feira, com seus exíguos 2 minutos.

Números
Não custa lembrar: na eleição de 2008 Almeida ficou em terceiro lugar, quando o prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB) foi reeleito em primeiro turno, atrás do deputado federal Mendonça Prado (DEM), que entrou na campanha apenas para suprir o espaço deixado pelo sogro João Alves Filho.

Entusiasmo
Apesar de as pesquisas ainda apontarem a possibilidade de vitória do candidato João Alves Filho ainda no primeiro turno, a coordenação de campanha de Valadares Filho e o próprio candidato estão muito entusiasmados. Acham que a grande passeata realizada na última sexta-feira, com a participação do governador Marcelo Déda e todas as principais lideranças dos partidos aliados, serviu para turbinar e abrir uma nova etapa da campanha, justamente no momento que começa a propaganda na TV. "Vamos reverter rapidamente esta situação", aposta o prefeito Edvaldo Nogueira, um dos mais entusiasmados.

Mobilização

Ao contrário dos demais candidatos, Valadares Filho não aposta apenas na campanha pela TV. Desde o início do processo eleitoral faz caminhadas diárias nos bairros da cidade e pretende manter grandes mobilizações de rua, para dar clima e ritmo à campanha eleitoral.

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