Chuvas provocam destruição em Itaporanga
Milton Alves Júnior
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Pela terceira vez em menos de dois anos moradores do município de Itaporanga d`Ajuda ficam ilhados após o nível do rio Vaza Barris subir além do previsto pela Central de Meteorologia de Sergipe. Em decorrência da forte chuva e rajadas de vento, o rio transbordou, inundou ruas, avenidas, casas, e contribuiu diretamente para a abertura de uma cratera na BR 101. Após ter conhecimento da ocorrência, agentes da Policia Rodoviária Federal (PRF), a fim de evitar acidentes, interditaram parte da via e prejudicaram o fluxo de veículos na localidade.
Até o final da tarde de ontem seis famílias já haviam declarado perda total dos bens que estavam dentro das respectivas residências. Apesar de terem consciência sobre a forte ação da natureza, muitos populares lamentam que os atuais problemas enfrentados pudessem ser evitados caso as políticas públicas promovidas pela prefeitura tivessem sido feitas com excelência na qualidade.
Esse é o caso do agricultor Manoel Lima dos Santos. Morador da cidade há mais de 30 anos, ele garante que a administração municipal ao longo dos anos vem atendendo aos pleitos dos moradores, mas peca no momento de contratar uma empresa qualificada para realizar o serviço. "Nasci em Amparo do São Francisco e ainda jovem vim morar aqui com meus pais. Me lembro muito bem que brincava no rio por ele ser raso. Antes a gente tinha medo disso aqui secar, mas de 2011 pra cá, a gente tem medo dele subir. Tudo isso por causa das obras mal feitas pela prefeitura", disse.
Pelos cálculos dos próprios itaporanguenses, desde o inicio do ano passado a prefeitura já realizou três obras de reforço do solo prejudicado com as enchentes. Paralelo aos efeitos da natureza, as famílias prejudicadas alegam que as ações promovidas pelo homem também contribuem para que sinistros desse tipo passem a ser registrados com maior frequência.
Na manhã de ontem, após o nível ter baixado alguns milímetros, o padeiro Valter Rodrigues afirmou que as obras de duplicação da BR 101 interferiram para o rio transbordar. "Esses problemas são reflexos das mudanças que o ser humano promove no mundo. Aqui em Itaporanga o rio transborda facilmente com uma chuva mais forte. Isso sem falar do desmatamento que é incalculável. Quando passarem a pensar mais no meio ambiente, essas tragédias serão evitadas", lamentou. Questionado quanto a perda material, Valter disse que perdeu três eletrodomésticos recém-comprados e parte do telhado da casa desabou na madrugada de ontem. Ainda em entrevista, o padeiro implorou por melhorias e ajuda por parte dos departamentos de resgate.
"Perdi muita coisa, mas felizmente minha família está bem. Esperamos que essa tragédia sirva de lição e que o poder público passe a se preocupar com essa situação. Como não sabemos quando outro alagamento deve prejudicar a gente, uma base do Corpo de Bombeiros ou Defesa Civil seria um beneficio bom e fácil de construir", pontuou.
Com o alagamento, alguns estabelecimentos comerciais também foram prejudicados. Esse é o caso de um posto de combustível que também serve de abrigo para caminhoneiros.
Presos no congestionamento, muitos motoristas lamentavam a falta de infraestrutura na capital e no interior. De acordo com a professora Vera Lucia de Jesus, esse tipo de situação de emergência não se trata de um acontecimento impar. Para ela, redes de escoamento já passaram da hora de ser construídas. "É só chover um pouquinho mais forte em Aracaju, ou no interior, e esses rios acabam transbordando e prejudicando a vida de centenas de pessoas. Isso ocorre muito com os canais de esgoto também. Se o Estado e as prefeituras já tivessem desenvolvido um sistema de escoamento, tenho certeza que nada disso estaríamos passando. Já tem mais de duas horas que estou aqui presa na fila", disse.
Na tentativa de reparar a cratera causada pela chuva e consequentemente regularizar o fluxo de veículos em parte da BR 101, técnicos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) já foram acionados. O Dnit é o órgão responsável pela construção e manutenção das vias pública de competência federal.
João Alves informa plano emergencial para áreas atingidas pelas chuvas
O prefeito João Alves Filho concedeu na tarde de ontem entrevista nos telejornais SE TV (primeira edição), da TV Sergipe, e no programa Batalha na TV, da TV Cidade, onde explicou o plano de emergência que a Prefeitura de Aracaju está adotando para amenizar a situação das áreas mais atingidas pelas fortes chuvas.
O prefeito informou que todos os bairros que sofreram danos já estão sendo auxiliados por equipes de limpeza e que foram encaminhados assistentes sociais para averiguar as perdas da comunidade.
No bairro Jardim Esperança, por exemplo, a obra de recuperação da praça estava paralisada, como muitas outras que foram encontradas pela atual gestão municipal. Após andamento da reforma, os tapumes de isolamento da praça foram arrancados pela segunda vez, prejudicando o andamento da obra. Algumas pessoas picharam o isolamento na sexta-feira, 1, convocando a população para fechar as ruas. Ontem, os ditos "manifestantes", atearam fogo nos tapumes arrancados e nos barracões do canteiro de obra.
Por conta disso, um dos pontos abordados pelo prefeito durante a entrevista, e que prejudicou demasiadamente a agilidade nos trabalhos de recuperação dos locais afetados pela chuva, foi a atuação de vândalos que impediam o acesso do prefeito e de sua equipe para averiguar a situação e ajudar as famílias que foram atingidas.
"A obra de recuperação da praça está em fase final. Alguns vândalos, que tenho quase certeza que não eram moradores, derrubaram e atearam fogo nos tapumes e nos barracões do canteiro de obras, impedindo, com isso, que os operários dessem andamento aos trabalhos", disse o prefeito destacando que apenas hoje equipes da Prefeitura conseguiram ir ao local e ajudar as famílias que sofreram com o alagamento.
De acordo João Alves, todos os locais afetados pelas fortes chuvas, estão sendo assistidos por equipes de limpeza da EMSURB e que equipes da Prefeitura já estão nos locais para cadastrar as famílias prejudicas. "A drenagem de qualquer cidade não é feita para esperar o imprevisível. A intensidade da chuva de ontem em Aracaju, que registrou cerca de 220 mm, foi uma situação atípica. O sistema de drenagem da capital foi desenvolvido para atender uma vazão em torno de 120 mm de chuva", explicou.


