População evita dar informações à PM sobre crime de comerciante

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

A comerciante Rivaneide Costa dos Santos, 35 anos, foi assassinada por volta das 16h de ontem dentro de uma mercearia no povoado Comandaroba, em Laranjeiras (Vale do Cotinguiba). Segundo a Polícia Militar, a vítima estava trabalhando no local quando foi atingida por vários tiros na cabeça e no braço. Ela foi socorrida pelos próprios familiares e chegou a dar entrada no Hospital Municipal São João de Deus, mas acabou morrendo.

Inicialmente, chegou-se a afirmar que Rivaneide teria sido vítima de um latrocínio (roubo seguido de morte), mas a PM descarta esta hipótese. De acordo com o tenente-coronel Paulo César Paiva, chefe de Relações Públicas da corporação, policiais do destacamento da cidade foram enviados ao povoado, mas encontraram dificuldades para conseguir informações sobre como o crime aconteceu.
"Nós tínhamos sido acionados por uma pessoa que ligou para o Ciosp e avisou ter ouvido tiros dentro da mercearia. Primeiro, ao chegarem ao local, os policiais encontraram a mercearia fechada, com as portas baixadas. Depois, eles tentaram ouvir a população, os vizinhos ou alguém da família, mas, infelizmente, ninguém quis falar nada, ninguém quis colaborar com a polícia. Não nos falaram sobre quem entrou na loja, quais eram suas características, nem sobre como o crime aconteceu. Isso é muito estranho pra ter sido um caso de latrocínio", disse Paiva.

Além dos vizinhos da mercearia, os familiares também não quiseram dar informações sobre o crime. O corpo foi encaminhado para o Instituto Médico-Legal (IML) no final da tarde. O crime será investigado pela Delegacia de Laranjeiras.

A cidade vive uma crise recente na segurança, com reclamações constantes sobre o aumento dos números de assaltos e de crimes ligados ao tráfico de drogas, além de cerca de 10 assassinatos ocorridos desde o início do ano. Estas ocorrências já resultaram na suspensão das aulas do campus local da Universidade Federal de Sergipe (UFS), em 30 de maio, depois que uma estudante de 19 anos foi supostamente sequestrada e ameaçada por desconhecidos. Em reunião posterior com a reitoria da UFS, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) anunciou o aumento do efetivo das polícias Civil e Militar no município.

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