Rian Santos
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Eu achava que era macho, mas o sociólogo Rodorval Ramalho deve ter três bolas. Ou algum parafuso a menos. Outro dia, me atrevi a compartilhar um link de Reinaldo Azevedo no Facebook e quase tenho a carteirinha de gente boa revogada pela meia dúzia com quem me bato em discussões inúteis na frente do computador. O colaborador do Cinform foi mais longe e, além de se prestar à defesa sistemática de valores pouco aceitos nos dias de hoje, resolveu reunir os textos publicados no semanário em forma de livro. Fosse outro, teria razões para nunca mais botar a cara na rua. Mas um poodle de nascença não chegará nunca a rosnar como rottweiler.
Não tive tempo de ler o volume inteiro, uma gentileza do colega Jozailto Lima. Depois de pescar meia dúzia de artigos no índice de seus Ensaios Dissonantes (que o batismo da obra não engane o leitor. A pretensão de profundidade não encontra respaldo na tinta que mancha o papel), fiquei instigado a me aborrecer com o volume inteiro. Admiro quem pensa com todas as vírgulas nos lugares certos.
Eu não preciso concordar com Rodorval para compreender a lógica que rege sentenças que negam a existência da homofobia, ou que os programas de transferência de renda do Governo Federal não passam de cartada eleitoreira. Fico sinceramente feliz de constatar que qualquer pensamento, por estúpido que seja (o julgamento é meu), ainda não foi cerceado pela imposição do senso comum e recebe até mesmo certa distinção em letra de imprensa. Mesmo que não ultrapasse um decalque da filosofia liberal martelada pelos colunistas de Veja.
Ensaios dissonantes – Às 19 horas do próximo dia 2 de dezembro, segunda-feira da semana que vem, será lançado o livro "Ensaios Dissonantes – Cultura e Política na República do Colarinho Vermelho" é uma compilação de 105 artigos produzidos pro Ramalho ao longo de quase 10 anos de colaboração gratuita e espontânea com o jornal Cinform, desde a versão on-line, na década passada, até a impressa, nesta.
Dividido em cinco blocos temáticos – Modernidade ocidental: cristianismo, democracia e mercado; Gerra cultural: a invasão vertical dos bárbaros; Petismo: forma mentis e modus operandi; América Latina: totalitarismo tardio; e Educação: o antimodelo brasileiro -, Ensaios Dissonantes é um livro com 288 páginas.
"O que se apresenta nesta publicação, é o resultado das minhas reflexões e do meu esforço, na última década, de reconstruir a minha maneira de analisar o mundo. Espero que os leitores encontrem boas pistas sobre o que penso a respeito da religião, da esquerda, do capitalismo, dos intelectuais, da educação e da política", diz Rodorval em texto de apresentação.


