Por meias verdades

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Quem fala por meias verdades incorre em mentiras. Necessariamente. Ao reafirmar o compromisso da Secretaria de Estado da Cultura (Secult) com o lançamento de um edital de ocupação da Galeria J Inácio, durante a inauguração da II Mostra Coletiva do Fórum de Artes Visuais de Sergipe (FAVS), o assessor executivo da secretaria, Neu Fontes, fez questão de ignorar os prazos acordados e já vencidos. Não seria problema se os próprios membros do Fórum não tivessem tomado conhecimento dos problemas burocráticos aqui adivinhados, já que a Secult ainda não se dignou a qualquer esclarecimento, pelos meios de comunicação. Um evento lamentável, que expõe o indesejável poder de atração e influência exercido pelos gestores públicos sobre a sensibilidade da aldeia.

Explica-se: No âmbito do FAVS, não houve qualquer movimentação no sentido de cobrar as necessárias explicações da Secult. Os artistas, quase todos, colocaram o rabo entre as pernas, ansiosos por um afago. Além de recuados, ainda fizeram questão de desautorizar a colega Gabi Etinger, agora ex-coordenadora do Favs, voz solitária a impor o acordo firmado e amplamente divulgado pelo Fórum.
Em pronunciamento corajoso, realizado pelas redes sociais, a artista anunciou o desligamento do Fórum, sublinhando o próprio isolamento. "Não estou jogando tudo pra cima. Não estou fugindo da raia. Mas percebi que estava sozinha, num momento em que seria necessário cobrar uma posição pública da secretaria. O FAVS descobriu que o edital não seria lançado agora, conforme o combinado, pelos meios de comunicação. A secretaria não respondeu a nenhum dos e-mails enviados por mim, em nome do Fórum, ao longo dos últimos meses, antes da divulgação da segunda Mostra, cobrando uma posição. Como os meus colegas, ao invés de defender o interesse coletivo, estão se apressando em defender a Secult, não me resta alternativa, além de pedir licença e sair".

Verdade é que, desde a sua reestruturação, que remonta a alguns poucos meses, o FAVS esteve longe de servir ao interesse coletivo dos artistas visuais, limitando a própria atuação a uma política de gabinete, sem nenhuma espécie de consulta às bases. Deu no que deu. No que depender do Fórum, um edital, assim como qualquer outro instrumento de política pública voltado para o segmento, restará dependente da boa vontade e projetos políticos dos gestores públicos.

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