Gabriel Damásio
Depois dos agentes e dos escrivães da Polícia Civil, que paralisaram suas atividades durante uma semana e voltaram ao trabalho na semana passada, agora é a vez dos delegados do órgão cruzarem os braços em protesto contra o governo estadual. Ontem, ao início da noite, a categoria suspendeu os plantões extraordinários nas delegacias do interior, bem como os plantões de sobreaviso nas divisões do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), nos quais os delegados não irão aos locais de crime.
Com isso, todas as ocorrências policiais do estado poderão ser encaminhadas para a Delegacia Plantonista de Aracaju, na qual os delegados plantonistas só farão um procedimento de flagrante, depoimento ou termo circunstanciado por vez – tal ritmo deverá causar demora no atendimento à população e acúmulo de serviços aos outros policiais. Segundo a Associação dos Delegados de Sergipe (Adepol), o protesto começou a valer às 19h de ontem e vai durar por todo o fim de semana, até às 15h de segunda-feira, quando está marcada uma audiência do governador Jackson Barreto com a categoria.
Os delegados pedem a promoção automática de seus cargos, como parte de um plano de carreira. Segundo o presidente da Adepol, Kássio Viana, a medida já existe na Polícia Federal e em outras polícias estaduais. "Na PF, cada delegado sabe que a cada 5 anos vai ser promovido. Em Sergipe, nossa carreira está travada. Eu mesmo tenho 11 anos de carreira como delegado de polícia, nunca mudei de classe e nem tenho perspectivas de promoção. Isso acontece também com a grande maioria dos delegados de polícia", disse o delegado.
Um grupo de delegados esteve ontem à tarde na Superintendência da Polícia Civil, no São José (zona central), onde comunicaram a paralisação ao secretário-adjunto de Segurança Pública, João Batista Santos Júnior. Kássio explicou que o protesto acontece por causa do adiamento de uma reunião com Jackson que havia sido marcada para a última quinta-feira. "O governador havia recebido a gente no último dia 18 e tinha marcado essa reunião para nos dar uma resposta sobre o que nós pedimos. Só que, na última hora, ele antecipou a reunião com os policiais civis e adiou a nossa pra segunda-feira. Isso causou um mal-estar muito grande na categoria, porque estamos pedindo essa pauta há oito anos e o governo está demorando demais pra decidir esta questão", critica ele.
Outro motivo para a paralisação foi um suposto comentário feito por Jackson Barreto durante a audiência de terça-feira com o Sindicato dos Policiais Civis de Sergipe (Sinpol). Conforme o presidente da Adepol, o governador teria dito aos sindicalistas que não iria conceder a promoção automática aos delegados, mas estudaria a concessão do benefício aos agentes e escrivães. "Pelo menos, foi isso o que eu entendi. É chato o governador demorar pra dar uma resposta, mesmo que seja negativa, e em vez de dizer isso pra gente, falar isso numa reunião com os policiais. Isso irritou muito a categoria", afirmou Viana, que não descarta a realização de uma greve e outras mobilizações dos delegados.


