Kátia Azevedo
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Mobilizados em torno da campanha salarial deste ano, os médicos da rede pública de Aracaju foram recebidos na manhã de ontem pelo prefeito João Alves Filho.
Também ontem, os profissionais realizaram mais um dia de protestos e paralisação. A luta por um reajuste salarial de R$ 3.250, para de R$ 9.800, mobilizou vários profissionais, que às 8h estiveram concentrados na sede do Centro Administrativo Aloísio Campos, onde houve ato público.
A reunião marcou a retomada do processo de negociação com a Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA), que estava parado desde o início da nova gestão municipal.
A reunião teve como pauta central as propostas de reivindicações enviadas pelo Sindicato dos Médicos do Estado de Sergipe (Sindimed), no fim do ano de 2012, para a prefeitura.
"De agora em diante, esperamos que haja o andamento do processo de negociação", disse o presidente do Sindimed, João Augusto.
As negociações incluem dentre os 24 pontos específicos da pauta, dois considerados primordiais pela categoria: a permanência da data base, que é em janeiro, e o pagamento do retroativo.
Ainda sobre a reunião, João Augusto reconheceu que é um fato inédito a categoria ser recebido pelo prefeito para negociar. "Quando antes, isto acontecia somente com os assessores, mas em contrapartida, pela falta de harmonia entre as secretarias de saúde e de finanças em nos passar uma resposta, viemos ao ordenador das despesas, que é o prefeito, para termos uma definição", disse, ressaltando a preocupação em levar alguma informação para a assembleia da categoria que aconteceu na tarde de ontem na sede do sindicato.
João Augusto lembrou que os médicos não queriam realizar a paralisação, mas a medida foi tomada para pressionar uma audiência com o prefeito.
Ainda segundo Augusto, a data base é janeiro e o processo de negociação nem começou, lembrando que a prefeitura só tem duas semanas para lançar a folha pagando neste mês retroativo a janeiro.
"As propostas não são novas. Eles já receberam desde janeiro quando a atual gestão assumiu", destacou.
Durante a reunião, João Alves Filho informou aos médicos que ainda não tinha tido conhecimento da pauta em decorrência de várias atividades que vem assumindo da agenda oficial.
O prefeito ressaltou ainda o respeito pela classe médica e destacou que a saúde é prioridade do seu governo. "Estou disposto a sacrificar outros setores em prol da saúde", disse, salientando que esta semana aguarda o chamado para uma audiência com o ministro da Saúde Alexandre Padilha para verificar alguns pontos que precisão ser ajustados.
O prefeito informou também que irá determinar que a secretaria de saúde junto com a de finanças façam um estudo em relação ao impacto financeiro e o que pode ser viabilizado. Mas já deixou certo que na próxima reunião com a categoria na segunda-feira, dia 15, às 17 horas, apresentará números e levará uma resposta às reivindicações.
Hoje, dia 9, às 15 horas, o Sindicato estará se reunindo com a secretária Municipal de Saúde, Goretti Reis, em seu gabinete.
Paralisação – Ontem, no início dos protestos, a comitiva de médicos foi recebida pela secretária e por assessores da administração municipal.
A categoria decidiu parar suas atividades por 24 horas para chamar a atenção do executivo municipal sobre a necessidade de valorização profissional e adoção de melhorias na assistência pública de saúde.
A decisão foi tomada na última assembleia realizada pelos trabalhadores no dia 2 deste mês. Durante a reunião, os médicos cobraram mais atenção da prefeitura em relação às reinvindicações, que segundo a categoria, não estão sendo atendidas e nem mesmo apreciadas pela gestão municipal.
De acordo com o Sindimed, a categoria busca há cinco anos debater o Plano de Cargos, Carreira e Vencimentos (PCCV), que já passou por quatro secretários de Saúde e até agora não foi definido.
A paralisação não afetou o atendimento nas Urgências e Emergências, que funcionaram em sua normalidade. À tarde, a categoria realizou uma assembleia geral para apresentar resultado da reunião ocorrida pela manhã.

