Preços dos pescados disparam na Semana Santa

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Cresce o número de fiéis em busca de peixes nas feiras livres, redes de supermercado e mercados centrais, em Aracaju. Paralelo a esta tradicional procura religiosa, nesta Semana Santa os preços dos pescados também registram significativo aumento e chegam a apresentar até 60% a mais, se comparado ao início do mês anterior. O quilo do Bacalhau mais procurado pelos populares e donos de restaurante não é encontrado por menos de R$ 28. Até o início deste mês era possível comprar esse mesmo alimento por até R$ 20. Neste mesmo seguimento inflacionário o camarão pistola é comercializado em média por R$ 40. Parte desses camarões é pescada em Pirambu, 30 km de distância da capital.

Para muitos consumidores, estes valores são abusivos e contribuem para que as famílias deixem de consumir apenas peixe nesse período do ano, conforme ‘exige’ a religião católica. Este é o caso do contador aposentado Paulo Cerqueira de Araújo que reside no Conjunto Augusto Franco e desaprova a atitude dos comerciantes e produtores. "Como é que um produto que custa menos de 30 reais antes da Semana Santa passa a custar 40 só nessa quinzena? Um tipo de produto onde o transporte e a mão de obra é barata. Ainda compro, mas de um quilo eu reduzi pra meio", declarou. Segundo os vendedores este aumento é comum e a população já deveria ter noção disso.

De acordo com a vendedora Maria Ângela dos Santos, muitos aracajuanos anteciparam as compras e desde o final de fevereiro fizeram encomendas. Essa atitude contribui para que o estoque do feirante não fique elevado, e que o consumidor não acabe pagando mais caro por ter deixado as compras para a última hora. "Meus fregueses sabem muito bem que todo ano tem esse aumento e acabam comprando antes. Como se trata de um alimento fresco e que dura se armazenado em temperatura baixa, a qualidade não muda de um mês para o outro", declarou a vendedora, moradora da Barra dos Coqueiros que concluiu dizendo: "Se não se programar acaba pagando mais caro mesmo".

Devido ao aumento de peixes e consumidores, a Vigilância Sanitária vem realizando uma série de vistoria na área interna e externa do Mercado Albano Franco, principal ponto de comércio de pescados. A meta do órgão é promover outras fiscalizações até o próximo sábado, 19, incluindo o entreposto pesqueiro que fica de frente para o maior mercado público de Sergipe. "Até que aprovo essas fiscalizações, mas o que o povo mesmo se importa, em primeiro lugar é o preço. Todos sabem que esses peixes são recém-capturados e o estado de conservação é bom. Se eles tivessem um custo menos salgado eu iria sair daqui com mais quilos pra fazer a minha mariscada", afirmou o policial militar Anderson Dias.

Em média o quilo do Salmão é repassado por R$ 28, da arraia R$ 25 e da vermelha por R$ 22. O atum é comercializado por R$ 25, e a sardinha tem preço de R$ 11 o quilo. Quanto aos ingredientes utilizados no preparo destes pratos, a inflação temporária também foi registrada na capital sergipana. O azeite, por exemplo, o mais barato sai por R$ 2 em alguns supermercados. Já o leite de coco custa em média R$ 1,80 com 200 ml, e o amendoim torrado com 500g é vendido por R$ 5. Todos esses valores podem sofrer variação a depender da quantidade e forma de pagamento.

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