Milton Alves Júnior
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Funcionários da saúde em greve há 43 dias bloquearam na manhã de ontem a entrada principal da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). O ato público teve como principal motivo a falta de diálogo entre as 10 categorias que aderiram ao movimento e a Prefeitura de Aracaju. Segundo a classe trabalhadora, os profissionais da saúde foram os únicos que não receberam os 8% de reajuste concedidos pelo prefeito João Alves Filho, e até a tarde de ontem não haviam recebido os respectivos salários referente ao mês de junho. Sem progresso no impasse, a greve geral permanece por tempo indeterminado na capital sergipana.
Na realidade, se for botar na ponta do lápis, o entrave administrativo entre os funcionários do Sistema Único de Saúde (SUS) e a administração atual de Aracaju se arrasta desde o mês de dezembro do ano passado quando uma lista de reivindicações foi apresentada, a pedido do próprio prefeito, junto ao poder executivo municipal. Desde então as categorias não foram convidadas para debater assuntos como: reajuste salarial, pagamento de hora extra, qualificação estrutural das unidades de atendimento e promoção de concurso público. Enquanto o problema não é solucionado mais de cinco mil procedimentos deixam de ser realizados diariamente.
O motivo dessa falta de assistência ao aracajuano se torna possível e real diante da redução de até 70% no quadro funcional formado por enfermeiros, nutricionistas, agentes de combate a endemias, psicólogos e assistentes sociais, por exemplo, e pouco mais de 50% dos médicos que também compõem o movimento grevista. Com o fechamento do portão de entrada da SMS, localizada na rua Sergipe, bairro Siqueira Campos, parte dos serviços internos também foi prejudicada. Na avaliação do sindicalista João Augusto, presidente do Sindicato dos Médicos do Estado de Sergipe, sucessivos equívocos do prefeito colaboram para a manutenção dos atos públicos.
"As demais categorias receberam o reajuste de 8% e para nós não há negociação. Além disso, somos os únicos que ainda não recebemos o salário, não vamos receber o décimo terceiro, então é uma sequência de eventos que desrespeitam os servidores da saúde. É desse jeito que João Alves Filho trata dos servidores da saúde e dos pacientes que vão até os postos em busca de auxílio", lamentou. As categorias alegam ainda precárias condições de trabalho e não pagamento das horas extras, as quais deveriam ser repassadas para os profissionais que atuavam no programa ‘Horário Estendido’.
Durante a manifestação de ontem os líderes grevistas voltaram a destacar que setores da PMA estariam contratando profissionais da saúde de forma terceirizada a fim de minimizar os efeitos da mobilização que se arrasta desde o dia 01 de junho. Essas contratações, inclusive, já são de conhecimento do Ministério Público Estadual e do Tribunal de Justiça de Sergipe. Segundo denuncia o assistente social Alisson dos Santos, o programa idealizado por esta gestão não funcionou mais de três meses seguidos. O motivo da atribulação deste programa foi justamente o não pagamento das horas extras.
"Com que cara vou trabalhar três meses para João Alves e chegar em casa sem dinheiro no bolso para justificar minha ausência diante da minha família? Agora que vai chegar a campanha eleitoral ele vai tentar passar o programa como se fosse as mil maravilhas. Poderia até ser se o prefeito pagasse nossas horas extras e nos oferecesse no mínimo boas condições de trabalho. Todo esse retrocesso na saúde foi João quem fez", pontuou. As categorias voltam a se reunir nesta quarta-feira para debater o futuro da greve.


