A demolição de um início de construção de duas casas em um terreno no povoado Miranda, em Capela, nesse final de semana, causou desconforto entre a comunidade. Algumas pessoas, influenciadas pelo ex-prefeito Manoel Sukita (PSB), acusaram a prefeitura de ter sido a responsável pela derrubada, mas, de acordo com a secretária de Comunicação, Ana Carla Barreto, a atual gestão não tem relação alguma com o acontecido. Pelo contrário. "A única vez que a patrol da Prefeitura esteve no terreno foi na quinta-feira passada, apenas para realizar a limpeza do local. O que a administração quer é regularizar a situação daquelas pessoas", esclarece.
Isso porque o terreno que foi supostamente doado àquelas famílias durante a gestão de Sukita, na realidade, não possui validade legal. Segundo a secretária, a promotoria do município já constatou no cartório que não há nenhuma escritura que registre oficialmente essa doação. "As pessoas possuem um recibo dado pelo ex-prefeito, mas que não tem validade legal", acrescenta Ana Carla, que faz questão de destacar a verdadeira preocupação da administração municipal nesse momento.
"Queremos deixar claro que não temos nenhum envolvimento com isso", reiterou. Chegou-se a comentar no município que a prefeitura é a única que possui uma patrol, máquina usada para a demolição, mas os próprios moradores revelaram que existe outra máquina no próprio povoado, que, coincidência ou não, pertence a um amigo do irmão do ex-prefeito. Ana Carla ainda lembra que foi o próprio Sukita, quando prefeito, que cometeu uma ação deste tipo. "Ele mandou derrubar as casas do conjunto João Nunes. Agora querem jogar esse tipo de atitude como sendo do atual gestor, mas ele não tem esse histórico", completa.
Novas casas – A secretária de Comunicação contou que a intenção da prefeitura é preparar o terreno e construir casas para serem entregues de forma regular. "Fizemos um levantamento e foi constatado que uma boa parte dos lotes foi ‘doada’ a parentes ou cabos eleitorais de Sukita. Inclusive, existem pessoas que receberam mais de um lote, até 12. Não é essa a política de assistencialismo que queremos fazer". Segundo ela, até 2014 novas casas serão construídas, e as pessoas que realmente necessitam, inclusive as que foram enganadas com esse recibo sem validade, independente de voto, serão beneficiadas.


