“Um barraco não é uma casa, não é lugar de ninguém morar. Ter uma oportunidade como essa, de receber a casa própria, é um momento único na vida da gente”. O relato de Andreza da Silva, mãe solo de 30 anos, reflete a realidade de centenas de famílias, que realizaram um sonho nesta sexta-feira (27). O prefeito Edvaldo Nogueira entregou a primeira etapa do Residencial Mangabeiras Irmã Dulce dos Pobres, no bairro 17 de Março, contemplando 704 famílias com moradia digna. Erguido no local onde antes existia a antiga ocupação das Mangabeiras, o residencial conta, ao todo, com 1.320 casas, fruto de um investimento superior a R$ 124 milhões.
“Esse é um dia extraordinário e muito importante para mim. É o dia mais feliz da minha gestão, pois estou entregando uma obra que materializa tudo aquilo que um trabalho dedicado para as pessoas pode fazer por elas. Aqui, a população morava em barracos, de maneira precária. Eram mais de 800 famílias vivendo de forma insalubre e nós fizemos um grande trabalho. O projeto começou a ser pensado em 2017 e em 2020 começamos com a retirada das famílias que viviam nesse local. Foi uma operação que durou mais de uma semana, para remover todas as famílias e seus pertences, e que passaram a viver com o auxílio-moradia, de R$ 400. Temos aqui também uma infraestrutura completa, uma praça nova, a Reserva das Mangabeiras, enfim, é uma obra que mudou a vida das pessoas, algo que enche o coração de alegria. Não teria outro nome para dar a esse residencial. Irmã Dulce foi um verdadeiro exemplo de doação aos mais humildes”, destacou Edvaldo.
Para a construção do residencial, foram investidos R$ 124 milhões, sendo R$ 116,7 milhões provenientes do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e R$ 7,9 milhões de contrapartida do município, valor destinado ao aluguel social. As residências entregues nesta primeira etapa seguem o modelo sobreposto, todas elas com sala, dois dormitórios, cozinha, área de serviço e em três tipos distintos, sendo 672 no formato padrão, 24 do tipo acessíveis e oito acessíveis isoladas. Além disso, o local agora conta com infraestrutura completa, tendo 19 ruas pavimentadas, drenagem pluvial, esgotamento sanitário, água potável, energia elétrica, passeios em concreto e acessibilidade. Outra intervenção realizada pela Prefeitura e entregue juntamente com a primeira etapa do residencial, foi a praça das Mangabeiras, equipamento de lazer fruto de um investimento de R$ 330 mil.
“Hoje é um dia de muita felicidade e realização pessoal. Foram cinco anos trabalhando nesse projeto, onde as pessoas viviam em condições quase subumanas. Tudo isso demandou muito tempo, negociação e conversa para, hoje, entregarmos 704 casas, do total de 1.320, para as famílias que residiam na antiga ocupação. Esse conjunto contém casas com o tamanho adequado para as pessoas, com infraestrutura necessária, além de uma praça com a estátua da Santa Dulce. Além disso, juntamente com as casas, estamos entregando o título de legitimação, que garante a posse das residências. Como profissional, engenheiro e participante desse projeto, sinto muita satisfação e orgulho de ver que vale a pena fazer esse tipo de trabalho”, explicou o secretário municipal da Infraestrutura e presidente da Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb), Sérgio Ferrari.
Além de outra praça que será erguida no local, a Prefeitura investe também na construção de uma nova Escola Municipal de Educação Infantil (Emei), que terá capacidade para receber 350 crianças com idade entre 0 e 6 anos. Ela contará com uma área de mais de 3 mil m², 10 salas de aula, dois berçários, lactário, salas de leitura, de amamentação, de reuniões, de recursos, de professores e de vivência, além de parque infantil, solário, copa e toda a estrutura padrão dos atuais modelos de escolas construídas pela Prefeitura. Para isso, serão investidos R$ 4,9 milhões, frutos do Tesouro Municipal.
Reserva das Mangabeiras – Paralelo ao projeto da construção do residencial, a gestão municipal também criou a Reserva Extrativista (Resex) das Mangabeiras Irmã Dulce dos Pobres, em abril de 2022. A Unidade de Conservação (UC) possui uma área superior a 94 mil metros quadrados. O principal objetivo dela é assegurar o uso sustentável e a conservação da mangaba, protegendo os meios de subsistência e a cultura da comunidade que faz uso dela para extrativismo. Isso garante a permanência e proteção de um dos poucos remanescentes da espécie na cidade. Além disso, a Prefeitura, através da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema), realizou o plantio de 140 mudas da espécie.
O local é gerido por um conselho deliberativo, presidido pela Sema, e constituído por representantes de órgãos públicos, de organizações da sociedade civil e da população tradicional residentes na área. O gestor da Sema, Alan Lemos, conta como a criação da Resex foi uma solução sustentável encontrada pela Prefeitura para garantir a permanência desse fruto no local e continuidade dos trabalhos das famílias que dependem economicamente da comercialização da mangaba.
Na Resex é permitida a visitação pública e a pesquisa científica, desde que seja autorizado pela Sema. São proibidas a exploração de recursos minerais, recursos madeireiros e a caça amadorística ou profissional no local.


