Prefeitura não oferta vagas para crianças menores

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

A manhã de ontem foi marcada por muito protesto e críticas à Prefeitura de Aracaju nas intermediações da Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Etelvina Amélia de Siqueira. Após enfrentar mais de 12 horas de fila, inclusive durante a madrugada, pais e demais responsáveis pelos estudantes que frequentaram a instituição no ano letivo de 2014 tinham como esperança garantir a mesma vaga estudantil para este ano. Diante da informação que as matrículas estão abertas, publicada pela Secretaria Municipal de Educação (Semed) desde a última segunda-feira, 12, os populares se anteciparam, passaram a madrugada sob relento, e, em vez de retornar para casa com o comprovante de matricula, tiveram que amargar o tempo perdido e uma noite de desconforto.

Ao amanhecer, por volta das 6h20 começaram a chegar alguns funcionários da escola infantil. As 7h10, os pais que enfrentaram a fila foram informados que o período de matricula na Etelvina Amélia não iria ocorrer no dia de ontem, e sim, apenas na próxima semana a partir da quarta-feira, 21. Inconformados com a falta de diálogo, os populares acusaram a coordenação de desrespeitar os interesses constitucionais dos pais e garantem que devem levar o caso para o Ministério Público Estadual (MPE/SE). Insatisfeita com a situação, Jéssica Maíra dos Santos, que disse ter chegado na unidade as 21h30 da quarta-feira, garantiu que todas as pessoas acreditavam que as matrículas deveriam, de fato, começar esta semana, conforme prometido pela prefeitura.

"Nós só estamos pedindo que as nossas vagas sejam garantidas. Que eles passem algum tipo de senha para garantir que na semana que vem a gente não vai precisar passar mais uma madrugada aqui esperando. Faltou consciência por parte da coordenação em não avisar a gente que as matrículas só serão feitas no dia 21. Por isso que estamos indignados aqui e protestando contra essa falta de respeito com o trabalhador e pais de família que desejam uma vida melhor para os filhos", disse Jéssica. Apesar das reclamações e presença da imprensa cobrindo o ato público, os docentes responsáveis por administrar a escola infantil não garantiram o pleito dos moradores. Essa notícia revoltou ainda mais aqueles que já estavam enfurecidos com o transtorno.

Ao tomar conhecimento da não realização de matrículas, muito menos a emissão de senhas que poderiam garantir a vaga, o aposentado Ronisson José Almeida pede ajuda aos promotores do MPE para intervir a favor dos aracajuanos. De acordo com ele, apenas o poder judiciário pode ajudar os pais a garantir o estudo dos filhos neste ano letivo que já inicia no próximo mês de fevereiro. "Como é que a secretaria diz uma coisa e essa escola faz outra? Estava aqui desde as 20h e sequer uma senha eles quiseram nos repassar. Somos todos contribuintes e honramos os nossos deveres, mas a educação pública da prefeitura de Aracaju não faz o favor de garantir os nossos direitos", lamentou. Conforme dados da Escola Etelvina Amélia de Siqueira apenas 30 vagas serão disponíveis.

Ainda de acordo com o aposentado, a mínima oferta de vagas permite que os responsáveis pelas crianças de quatro e sete anos fiquem preocupados com a possibilidade de não conquistar um espaço na unidade que fica mais próxima das próprias casas. "São crianças que querem estudar. Todo cuidado é pouco e poder matricular aqui perto de onde moramos é essencial para que possamos acompanhar cada passo, mas infelizmente a escola nos prega uma bomba dessa. Depois de uma noite impaciente, onde ninguém aqui dormiu, voltamos para casa com uma mão na frente e outra atrás. Problema maior vai ser se a gente por um acaso do destino não conseguir matricular na semana que vem. Aguardem", avisou José Almeida.

Semed – Até o final da tarde de ontem gestores da Secretaria Municipal de Educação não haviam se pronunciado oficialmente sobre a reivindicação e contratempos apresentados pelos manifestantes. Já a escola, por meio da diretora, Núbia Trindade, enalteceu que os pais que criticam, são responsáveis por alunos com menos de quatro anos de idade, e, a princípio, a preferência é para estudantes entre quatro e sete anos. "Abrimos exceção para alguns alunos com três anos de idade com a meta de qualifica-los antes mesmo de iniciar as aulas na unidade escolar. Infelizmente alguns não entendem essa nossa atividade extra, e acabam protestando contra a administração da escola", lamentou a diretora.
No próximo dia 21 as matrículas estão previstas para acontecer a partir das 7h. Para garantir o espaço, os moradores botaram pedras e garrafas em formato de fila a fim de indicar quem é o responsável pela vaga. A direção da escola informou que não é responsável pela ordem de chegada, nem por administrar a fila improvisada.

Compartilhe esta notícia