Gabriel Damásio
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Policiais civis do Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV) e da Divisão de Inteligência e Planejamento Policial (Dipol) prenderam uma mulher acusada de aliciar e agenciar adolescentes que eram exploradas em um esquema de prostituição. A desempregada Mayara Bispo Barreto da Silva, 23 anos, foi detida anteontem à tarde no centro da capital, em cumprimento a uma ordem de prisão preventiva expedida pela 6ª Vara Criminal de Aracaju. A jovem foi investigada durante cerca de quatro meses, após informações repassadas através do Disque-Denúncia (181).
A foto da acusada e os detalhes de sua prisão foram divulgados na manhã de ontem. De acordo com a delegada Mariana Franco Diniz, responsável pela investigação, os policiais conseguiram identificar ao menos oito garotas entre 15 e 16 anos, que são de classe média baixa e eram atraídas com promessas de conseguir dinheiro fácil. Todas elas confirmaram as acusações em depoimento, mesmo com a negativa da desempregada. A polícia apurou que algumas das vítimas eram exploradas sem o conhecimento dos pais ou responsáveis, os quais deverão prestar depoimento a partir desta segunda-feira.
As jovens eram oferecidas aos clientes para programas sexuais que aconteciam geralmente em motéis e pousadas da Grande Aracaju e até de Salvador (BA). Cada programa custava entre R$ 150 e R$ 200, mas, para os encontros marcados na capital baiana, o preço cobrado era de R$ 400. Segundo a delegada, Mayara ficava com boa parte do dinheiro e apenas fazia o contato com os interessados nos programas. "É fato que Mayara não trabalha, se sustenta com o lucro auferido na exploração sexual. Ela atua como agenciadora e aliciadora, no momento em que ela intermedia os encontros sexuais, entrando em contato via telefone com os clientes certos que ela tem", diz Mariana, sem descartar a possibilidade de outras adolescentes tenham sido aliciadas e exploradas.
A delegada confirmou ainda que Mayara fazia todo o esquema praticamente sozinha, contando apenas com o auxílio de um motoboy já identificado pelo DAGV. "Mayara usava esse motoboy para fazer o transporte das adolescentes, facilitava o encontro sexual das vítimas com os clientes. Ele já foi identificado e será convocado a depor", afirmou, frisando ainda que as provas colhidas pelos policiais "confirmam que Mayara não só praticava o favorecimento à prostituição como também o tráfico interno de pessoas, na medida em que ela promovia o deslocamento dessas adolescentes para Salvador, com fins de exploração sexual".
Durante as investigações, os policiais civis descobriram que a desempregada já morou na Itália e provavelmente fazia programas sexuais por lá. Mariana Diniz, no entanto, descartou qualquer ligação da acusada com estrangeiros envolvidos na exploração sexual, assegurando que os clientes do esquema de prostituição são todos de Aracaju ou Salvador. A identificação desses clientes, inclusive, é a principal prioridade da polícia nesta fase da investigação, além de descobrir se há outras adolescentes exploradas.
"Estes clientes serão intimados para prestar esclarecimentos e também vão responder pelo crime de exploração sexual", assegurou a delegada. Mayara, por sua vez, que nunca tinha sido presa, será indiciada pelos crimes de exploração sexual, tráfico interno de pessoas e favorecimento à prostituição. Se condenada, ela pode ser punida com até 26 anos de prisão – equivalente à soma das penas máximas previstas pelo Código Penal.


