Gabriel Damásio
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A Orla de Atalaia serviu ontem de palanque para a disputa entre os dois principais candidatos à Presidência da Câmara dos Deputados, cuja eleição acontece no próximo dia 1º de fevereiro. Os deputados federais Eduardo Cunha (PMDB/RJ) e Arlindo Chinaglia (PT/SP) visitaram Aracaju por todo o dia de ontem, dando entrevistas à imprensa, fazendo contatos com líderes políticos e tentando conquistar os votos dos oito deputados eleitos e reeleitos da bancada sergipana na Casa. As visitas fazem parte da estratégia de campanha de ambos os candidatos, que estão visitando todos os estados brasileiros para conversar com as bancadas – e cujas viagens, garantem eles, são bancadas com recursos dos próprios partidos.
O primeiro a chegar foi Eduardo Cunha, que tem o deputado André Moura (PSC) como seu principal cabo eleitoral no estado. Ele estava acompanhado também por políticos da cúpula do PSC, como o senador Eduardo Amorim (SE), e aliados do grupo no estado, como os federais sergipanos Fábio Reis (PMDB), Laércio Oliveira (SDD) e Adelson Barreto (PTB). Pela manhã, o candidato conversou com políticos e jornalistas no Hotel Radisson, e depois fez visitas ao prefeito João Alves Filho (DEM) e ao vice-governador Belivaldo Chagas (PSB).
Apoiado pelos partidos do chamado "Blocão", formado por partidos de baixa expressão e alguns parlamentares da base governista, Cunha é deputado federal desde 2003 e, mesmo integrando o PMDB do vice-presidente Michel Temer, se destacou no ano passado por conseguir reunir aliados insatisfeitos com o governo e impor várias derrotas ao governo Dilma Rousseff em votações importantes do Congresso. Para o deputado, a Câmara "enfrentou momentos de submissão" quando a presidência da casa foi ocupada pelo PT, o que segundo ele, impediu que temas importantes fossem debatidos e votados.
Em campanha, o carioca prometeu resgatar a independência e a autonomia da Câmara em relação ao Palácio do Planalto, mas sem fazer oposição cerrada. "O fato é que não seremos uma Câmara de oposição, mas também não seremos uma Câmara submissa ao governo. Queremos independência para tratar e debater os temas relevantes do nosso país. O fato de apoiar a governabilidade não quer dizer que somos submissos ao Governo. Se eu for eleito vou decepcionar quem esperar que eu trabalhe em oposição ou situação ao Governo de Dilma Rousseff. Os interesses públicos serão prioridade", afirmou Eduardo, prometendo ainda uma maior proximidade com os temas de interesse da região Nordeste.
No rastro – Durante a reunião dos partidários de Cunha, uma surpresa: o presidente estadual do PT, Rogério Carvalho, que deixa a Câmara neste mês, foi ao Radisson para cumprimentar os deputados adversários e anunciar aos jornalistas que Arlindo Chinaglia também viria em Aracaju e faria um encontro semelhante a poucos metros dali, no Hotel Real Classic. Isso aconteceu por volta do meio-dia, quando o paulista chegou acompanhado de seu principal cabo sergipano, o federal eleito João Daniel Somariva (PT) e de aliados como Valadares Filho (PSB) e Jony Marcos (PRB), os quais também participaram do encontro anterior.
Em Brasília desde 1995, Chinaglia já foi presidente da Câmara entre 2007 e 2009 e afirmou que trabalhou muito para melhorar a imagem da casa, abalada pela polêmica gestão do então deputado Severino Cavalcanti (PP/PE). Com o apoio formal dos partidos mais próximos ao governo Dilma, o paulista prometeu incentivar mais a criação de grupos de deputados para defender suas causas e acompanhar diretamente os assuntos mais próximos da população. "Vamos criar inclusive uma comissão permanente para discutir o desenvolvimento do Nordeste, que não vai ser um subitem da Comissão da Amazônia. Isso muda o perfil da Câmara e a oposição aumentará mais a sua confiança nela como sua representante", garantiu.
indiretamente pelo peemedebista, o petista rebateu a acusação de que sua gestão à frente da casa seria mais submissa ao Planalto. "Prefiro não responder porque acho que é de baixo nível alguém pelas costas falar algo desta natureza. Posso dizer com tranquilidade que vocês podem procurar qualquer deputado de qualquer partido, qualquer líder, e eu diria especialmente a oposição, para vocês saberem como exerci a presidência da Câmara quando fui presidente. Isso é uma tentativa de desqualificar, mas que não dá o meu patamar", disparou Chinaglia, citando inclusive que, no segundo turno da votação na Câmara, pretende contar com o apoio do terceiro candidato ao posto, Júlio Delgado (PSB/MG), apoiado pelos oposicionistas PSDB e PPS. "O Júlio tem sido muito correto e não fez esse tipo de baixaria na campanha", afirmou Arlindo.

