Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br
Uma nova fuga em massa de presos aconteceu ao início da manhã de ontem na 5ª Delegacia Metropolitana (5ª DM), no conjunto João Alves, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju). Desta vez, 21 detentos que estavam em duas das quatro celas da carceragem conseguiram escapar, depois de render os policiais que estavam de plantão e revirar toda a recepção da delegacia, levando as armas dos agentes, deixando para trás um rastro de bagunça e destruição.
De acordo com um dos plantonistas, o agente Murilo Messias dos Santos, eram por volta de 6h30 quando ele começou a servir o café da manhã aos 42 presos que ali estavam. Ao abrir a grade de acesso à carceragem, o policial foi surpreendido por alguns dos detentos, que conseguiram passar por um buraco aberto na cela e amarraram o refém contra a grade, usando uma corda contra os braços e o pescoço. O outro policial foi tentar socorrer o colega, mas também foi dominado e amarrado. Em todo o tempo, os reféns resistiam e tentavam se livrar das cordas, pois estavam quase sufocados, mas os presos os agrediram e ameaçavam matá-los com chuços e barras de ferro.
Com a camisa rasgada e ainda muito nervoso, Murilo que os fugitivos também conseguiram acesso às chaves da carceragem e que a outra metade dos detidos só vão fugiu porque não quis. "As quatro celas foram abertas. Na hora em que eles saíram pelo buraco da Cela 1, eles vieram e pegaram as chaves daqui. O colega já estava dominado lá e eu enforcado na grade. Depois de pegarem as chaves, eles abriram todas as celas. Os que não foram [com os 21] foi porque não quiseram", disse o agente.
Nilton, que tem quase 30 anos de polícia, afirmou ainda que tanto ele quanto o colega deveriam estar de férias neste mês, mas estavam escalados para trabalhar por conta da falta de efetivo. Apesar de ter vivido estes momentos de tensão e de se queixar muito das más condições de trabalho, o agente garantiu que o episódio não vai intimidar sua dedicação à carreira. "Me enforcaram, falaram toda hora que eu ia morrer, eu lutei pra não morrer e não me abalo com isso, porque eu não sou e nem posso ser um policial fraco. Vou continuar combatendo a violência", afirmou.
Antes de sair pela porta da frente, os presos ainda reviraram toda a 5ª DM, abrindo os armários espalhando pelo chão tudo o que viam pela frente. Papéis com documentos de inquéritos policiais em andamento foram jogados e até rasgados. Alguns cartuchos e munições de armas também foram encontradas no chão. Por sua vez, algumas armas e até drogas que estavam apreendidas na delegacia foram levadas pelo grupo.
Na saída, um dos detentos que estava armado assaltou um motociclista que passava pelo local e tomou-lhe a moto, fugindo com ela. A suspeita é de que outros dois dos fugitivos teriam tentado assaltar um supermercado da rede Todo Dia, na Avenida Euclides Figueiredo, no Lamarão (zona norte de Aracaju), meia hora após a fuga. Eles chegaram a entrar na loja e chegaram a levar um telefone celular, mas, segundo a polícia, a presença deles não foi constatada pelo circuito interno de segurança. O detalhe é que duas funcionárias, com medo, chegaram a se esconder em um freezer com temperatura de -25°C e foram atendidas depois pelo Samu, com início de hipotermia.
Várias equipes das polícias Civil e Militar se concentraram durante nas regiões do Conjunto João Alves e dos bairros Lamarão e Japãozinho, onde fizeram buscas pelos fugitivos e seguiram pistas denunciadas pela população. A segurança da delegacia também foi reforçada. Esta foi a segunda em massa registrada na 5ª DM em menos de um mês – e a quarta fuga de 2014. No último dia 5 de julho, outros 26 detentos escaparam da mesma unidade, igualmente depois de agredir e dominar os agentes de plantão, depois que um deles abriu a cela para recolocar um preso que atuava como "mensageiro". Naquele momento, 46 presos ocupavam as quatro celas da delegacia.


